# Paradigma Trading

Apresentamos a seguir nosso guia completo de análise técnica, com tudo que você precisa para aproveitar os conteúdos da Paradigma voltados a trading.

## **Bem-vindo(a).**

O robô de sinais da Paradigma exibe oportunidades de operações em três mercados de renda variável:

1. Ações **brasileiras**, com foco nos constituintes do [Índice Brasil Amplo ](http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-amplos/indice-brasil-amplo-ibra.htm)(que abrange cerca de 250 empresas);
2. Ações **internacionais**, com foco nos constituintes do [S\&P 500](https://portugues.spindices.com/indices/equity/sp-500) (índice acionário mais relevante do mundo);
3. **Criptoativos**, com foco naqueles disponíveis na [Binance ](https://www.binance.com/pt-BR)(exchange líder do mercado) e na [FTX](https://ftx.com/) (exchange especializada em derivativos). Essa combinação permite atender usuários com preferência em ativos cotados em bitcoin (no mercado a vista) e em dólares (através dos contratos perpétuos "/perp"). Assim, totalizamos um leque de centenas de ativos rastreados, com boa liquidez em sua maioria.

{% hint style="success" %}
&#x20;Encare-a como um **rastreador**, que poupará o seu tempo de pesquisa. Ela será atualizada **todos os dias**.
{% endhint %}

Se você é **iniciante**, não se preocupe. Nosso material educacional sobre o tema é direcionado para te auxiliar. Apresentaremos princípios e estratégias que você reconhecerá no nosso conteúdo. Não hesite em enviar quaisquer dúvidas para `nosso servidor no` [`Discord`](https://discord.gg/cztvyar3D7).

Para os **experientes**, o racional, a fonte e os resultados dos *setups* estão no final desta série. Se você utiliza uma estratégia alternativa, e gostaria que fosse introduzida e rastreada pela plataforma, contate-nos.

{% hint style="danger" %}
Nada do que for apresentado constitui uma recomendação. Nós fornecemos conteúdo **educacional** e **tecnologias** para facilitar a busca de operações cuja execução depende de você. Faça sua própria diligência **SEMPRE**.
{% endhint %}


# Princípios da Análise Técnica

O que motiva as tomadas de decisão de um trader? Como se avalia uma oportunidade? Quais são os critérios para julgar uma estratégia?

Este é o primeiro texto de uma série que abordará as variáveis-chave na atividade de um *trader*. Profissão que encara o mercado diferentemente do investidor habitual, realizando operações que tem a análise técnica como alicerce, em prazos menores. O conteúdo a seguir serve como uma introdução ao tema.

## **`Análise Técnica vs. Fundamentalista`**

O processo de investimento consiste em, essencialmente, responder a três perguntas: **o quê**, **quando** e **quanto**.

Como escolher entre um ativo e outro? Saber se é a hora certa de comprar ou vender? Determinar o quanto de capital será alocado? O primeiro passo é elaborar um método que **condicione as suas tomadas de decisão**. Para isso, há dois pontos de partida.

De um lado, a **escola fundamentalista** sugere explorar ativos cujo preço diverge do seu **valor** intrínseco, ou projetado. Este valor é determinado pela análise das variáveis que impactam o ativo em questão - sejam elas quantitativas (como dados econômicos e balanços patrimoniais) ou qualitativas (como capacidade da gestão e perfil do setor, do produto, do consumidor).

O “***quando***” é secundário, pois os preços eventualmente convergem para o valor intrínseco, no longo prazo. É questão de ter estômago para encarar a não-linearidade do caminho. A ***quantia*** investida por operação deve refletir o grau de convicção, e comumente respeitar determinados critérios de diversificação (por setor, por classe de ativo, por país, por maturidade, etc.).

A **escola técnica**, em contraste, sugere comprar ativos sob condições com maior **probabilidade** de subir, e vender ativos sob condições com maior probabilidade de cair. Em especial, ***quando*** houver uma relação favorável entre o alvo projetado e o risco assumido de cada operação.

O “quando” é mais relevante do que “o que”, pois o comportamento generalizado do mercado é determinado por ciclos (a qualidade do ativo é secundária). Como toda informação disponível está contida nos preços, a maior vantagem competitiva é explorar o sentimento da massa – que se manifesta através de **padrões**. A ***quantia*** investida por operação deve refletir o seu perfil psicológico e ser suficiente para acomodar uma sequência de perdas, condicionado a estratégia utilizada.<br>

| **Análise**         | **Pilares**                                                     | **O quê?**                                    | **Quando?**                                                    | **Quanto?**                                     |
| ------------------- | --------------------------------------------------------------- | --------------------------------------------- | -------------------------------------------------------------- | ----------------------------------------------- |
| **Fundamentalista** | <p>Valuation; </p><p>macroeconomia;</p><p>oferta e demanda</p>  | Ativos distantes do valor intrínseco          | Enquanto subvalorizado ou sobrevalorizado                      | Ajustado por diversificação e convicção         |
| **Técnica**         | <p>Padrões;</p><p>estatística;</p><p>finança comportamental</p> | Ativos em condição estatisticamente favorável | Quando a relação ganho projetado / risco assumido for oportuna | Ajustado pelas métricas da estratégia empregada |

As “escolas” descritas acima são representações extremamente simplificadas de duas abordagens diferentes sobre o processo de investimento. A realidade, contudo, não é binária - e ambas não são excludentes. Uma vez entendidas as perspectivas de cada, é questão de combiná-las em sua **própria maneira de investir**.

Não há certo ou errado. O importante é desenvolver um **método** ganhador. Por isso, o embate comumente instigado entre a filosofia fundamentalista e a técnica é infundado e improdutivo.

## **`Não Existe Uma "Forma Ideal" de Análise Técnica`**

Apesar de não haver uma distinção absoluta, é possível segmentar duas vertentes dentro da análise técnica: a **clássica** e a **moderna**.

* A primeira, sob uma abordagem subjetiva, procura interpretar os movimentos de preço para extrair indicações sobre o seu comportamento futuro, principalmente através de padrões gráficos. A tomada de decisão é **discricionária**. Técnicas de “[*price action*](https://blog.nelogica.com.br/afinal-o-que-e-price-action/)” são as mais representativas.
* A segunda, sob uma abordagem objetiva, procura por condições específicas que proporcionaram ganhos consistentes no passado, principalmente através de indicadores. A tomada de decisão é **sistemática**. Técnicas [quantitativas](https://www.infomoney.com.br/onde-investir/fundos-quantitativos-conheca-os-gestores-que-ganham-com-a-volatilidade-do-mercado/) são as mais representativas.

Há inúmeras estratégias operacionais na literatura, pautadas em diferentes ferramentas técnicas, em diferentes classes de ativos, em diferentes tempos gráficos. É comum uma mesma estratégia apresentar resultados opostos em ativos de uma mesma classe, ou de um mesmo segmento, e até no mesmo ativo, em diferentes períodos. Portanto, em vez de idealizar uma única estratégia onipotente, deve-se entender qual tipo é mais **adequado** para cada ativo, para cada contexto, para cada periodicidade.

Por exemplo, aqui estamos tratando de criptoativos – um mercado extremamente volátil, direcional e cíclico, que funciona 24 horas por dia, muito correlacionado entre si.

**Como esse conjunto de características pode nos condicionar?** Vamos por partes:

* A volatilidade sugere *stops* mais longos que o usual;
* A direcionalidade sugere o uso de estratégias **seguidoras de tendência** (em oposição às de [retorno a média](https://blog.sutherlandresearch.com/index.php/2017/05/27/mean-reversion-vs-trend-following-primary-risks-optimal-markets/), por exemplo);
* Os ciclos intensos sugerem operações duradouras e de alvos longos;
* A ininterrupção favorece alavancagem, e prejudica *stops* manuais;
* A correlação alta sugere que o resultado de uma mesma estratégia em diferentes criptoativos deve ser relativamente uniforme.

## **`Análise Técnica Busca Estratégias de Investimento Pautadas em Estatística`**

Eis um dos maiores equívocos que são disseminados sobre a análise técnica – de que se trata de um exercício puro de previsão. Isso está errado! É de suma importância reconhecer que **o comportamento futuro dos preços é imprevisível.**

Tudo pode acontecer. A parte “direita” do gráfico é desconhecida para todos. A análise técnica se trata de um exercício **estatístico**. O objetivo é usar ferramentas gráficas para encontrar **estratégias operacionais com expectativa matemática positiva**: comprar e vender seguindo um conjunto específico de regras pré-definidas que apresentam, **na média**, um resultado positivo.

Um exemplo simples de estratégia: a tradicional “[Golden Cross](https://www.investopedia.com/terms/g/goldencross.asp)”, ou cruzamento dourado. Ela sugere comprar um ativo sempre que a sua [média móvel](https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9dia_m%C3%B3vel) (um dos indicadores técnicos mais populares) de 50 períodos superar a de 200 períodos. A “[Death Cross](https://www.investopedia.com/terms/d/deathcross.asp)”, ou cruzamento da morte, é a contraparte que sugere vender um ativo quando a superação for inversa.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8hd9M8k3YWhIIqIBuT%2F-M8hemfaWsqO4QyiBBYG%2Fimage.png?alt=media\&token=fab84a3b-0f53-4411-a60b-c46258fb959b)

## **`A Rentabilidade de uma Estratégia é Determinada por duas Variáveis: o "payoff" e o índice de acerto`**

Para ilustrar os conceitos de ***payoff*** e **índice de acerto**, vamos considerar um jogo hipotético. Temos um dado de 6 faces, e as seguintes regras: você perderá R$1.00 quando tirar os números 1, 2 ou 3, e ganhará R$1.50 quando tirar os números 4, 5 ou 6.

Se lhe fosse oferecida a possibilidade de participar desse jogo, infinitamente, você aceitaria? Para responder essa pergunta, você intuitivamente pensará – (i) que há 50% de chance de ganhar cada rodada deste jogo e (ii) que o seu lucro nas rodadas "vencidas" é maior que o seu prejuízo nas rodadas "perdidas". Unindo (i) e (ii), sua resposta para a pergunta seria “sim!”.

Pela perspectiva da análise técnica, esse jogo é análogo a uma estratégia operacional com um **índice de acerto de 50%** (o percentual de rodadas ganhadoras “i”) e um ***payoff*****&#x20;de 1.5x** (o lucro médio nas rodadas ganhadoras dividido pelo prejuízo médio nas rodadas perdedoras “ii”). A combinação se traduz em uma **expectativa matemática positiva** de R$0.25 por rodada:

{% hint style="info" %}
*50%\*- R$1.00 + 50%\*R$1.50 = 0.25.*
{% endhint %}

Agora vamos considerar uma variação do jogo: você ganha R$1.00 se tirar os números 1, 2, 3, 4 ou 5, e perde R$3.50 se tirar o número 6. Permanece a mesma expectativa matemática de R$0.25 por rodada (83.3%\*R$1.00 + 16.6%\*-R$3.50), porém com um perfil diferente das variáveis em questão: agora, o índice de acerto é de 83.3% e o *payoff* é de 0.29x.

Note que, sob as condições do primeiro jogo, a lucratividade advém do *payoff* em detrimento do índice de acerto. O inverso acontece no segundo jogo. É comum encarar ambos como um “*trade-off*”: **a melhora de um ocorre às custas do outro**. Isto é, estratégias com alto *payoff* tendem a apresentar um índice de acerto baixo, e vice-versa. Vale ressaltar que, apesar disso, existem estratégias com índice de acerto acima de 50% e *payoff* acima de 1.

Uma métrica alternativa que atua no mesmo sentido da expectativa matemática, mas que reflete a diferença de perfil supracitada, é o **fator de lucro ("*****profit factor*****")**: calculado pela divisão entre a soma do lucro de todas operações vencedoras e a soma do prejuízo de todas operações perdedoras. O objetivo dele é mensurar o **lucro obtido por unidade de risco**, de forma que valores acima de 1 refletem uma estratégia operacional rentável. Os exemplos anteriores, apesar de possuírem a mesma expectativa matemática, teriam um fator de lucro de 1.5 e 1.43, respectivamente - sugerindo que a primeira “estratégia” é preferível à segunda.

Independentemente do perfil, o importante, no final das contas, é encontrar uma combinação que resulte em uma **expectativa matemática positiva**, ou um **fator de lucro acima de 1**.

## **`A expectativa Matemática de uma Estratégia é Determinada por “Backtests”`**

Os jogos de dados dos exemplos anteriores possuíam probabilidades absolutas e ganhos/prejuízos pré-definidos por rodada. Tais condições, contudo, nunca serão verdadeiras na prática de um analista técnico – afinal, o futuro dos preços é desconhecido. Na realidade, o índice de acerto e o *payoff* de uma estratégia operacional são estimados pelo seu **resultado no passado**. O exercício de simular uma estratégia utilizando dados históricos é chamado *backtest*.

Em tese, quanto **maior a amostra** de operações passadas, e a **uniformidade dos resultados** ao longo do período estudado, **mais fidedigna será a sua extrapolação** futura. Por exemplo, uma estratégia testada em um *backtest* de 10 anos, com 10.000 operações, com um desvio baixo em relação à média em diferentes intervalos neste período, tende a apresentar um resultado no futuro mais próximo a sua expectativa matemática, do que uma estratégia testada em um *backtest* de 1 ano, levando em conta 100 operações.

Neste sentido, estratégias operacionais objetivas ostentam a vantagem de permitir a mensuração da expectativa via um *backtest* (há plataformas especializadas para tal, como [NinjaTrader](https://ninjatrader.com/), [WealthLab](https://www.wealth-lab.com/), [TradingView](https://www.tradingview.com/)). No caso de estratégias subjetivas, o analista técnico fica refém do “olhômetro” para estudar as rentabilidades passadas, por vezes registrando manualmente a simulação de entradas e saídas com dados históricos.

Como sempre, é necessário ter em mente que, por mais robustas as técnicas para validação estatística de uma estratégia, não há **nenhuma garantia que ela permaneça rentável** no futuro. Talvez **nenhuma seja imune ao tempo**.

Por isso, duas das tarefas mais importantes de um analista técnico são **o constante monitoramento** das operações e o **desenvolvimento de um processo de otimização**. Se os resultados apresentarem um desvio significante ou consistente do estimado pelo *backtest*, como uma sequência perdedora ou perda individual anormal, é de considerar alterar ou descartar a estratégia. Em especial, se essa anormalidade ocorrer sob o contexto ideal que ela foi destinada a explorar.

É natural: seja pela característica de um ativo ter mudado, por uma circunstância extraordinária do mercado, ou pela própria exaustão da estratégia.

{% hint style="info" %}
Na[ próxima seção](https://app.paradigma.education/feed/post/qEqRPJt7aGsOln0oDp0a), veremos como uma estrategia rentável não é o bastante para ter sucesso no mercado.
{% endhint %}


# Gerenciamento de Risco

Os dois pilares de sobrevivência no mercado: aprenda a limitar suas perdas e lidar com seu principal inimigo: você. Conheça o primeiro pilar de sobrevivência no mercado: limitar as perdas.

No jogo hipotético de dados [anterior](https://app.paradigma.education/feed/post/cWYHgJrX6du3xAtMx1hr), se fosse apostado 50% do seu capital por rodada, você perderia tudo se caíssem as faces 1, 2 ou 3 por duas vezes seguidas. O que extraímos disso?&#x20;

{% hint style="warning" %}
Uma estratégia vencedora não é suficiente para garantir a **sustentabilidade** desta atividade.&#x20;
{% endhint %}

Como veremos a seguir, (1) **controle de risco é a única variável capaz de impedir a sua falência no mercado** e (2) **controle emocional é a única variável capaz de garantir que você execute a sua estratégia como planejado**.

Por mais contra-intuitivo que pareça, a estratégia em si é secundária - afinal, há diversas delas na literatura, abertas para qualquer interessado. A maioria das pessoas perdem no mercado pelo mau gerenciamento de risco e por interferências psicológicas.

## **`Diversificação`**

Você provavelmente já deve ter ouvido falar em **“nunca colocar os ovos em uma única cesta”**. O conceito de diversificação, que embasa esse ditado, é construído na ideia de compor uma carteira com diferentes ativos para mitigar a exposição ao **risco idiossincrático** (isto é, o risco específico de cada um). Eventos de cauda (ou cisne-negros, como [descrito por Nassim Taleb](https://en.wikipedia.org/wiki/The_Black_Swan:_The_Impact_of_the_Highly_Improbable)) - como desastres naturais ou atos de terrorismo - acontecem de tempos em tempos e são suficientes para devastar uma carteira concentrada nos ativos diretamente afetados.

Apesar de soar muito simples, a aplicação desse conceito é muitas vezes equivocada. Segundo a [teoria moderna de construção de portfólio](https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_portfolio_theory), a diversificação ótima para cada nível de risco é calculada majoritariamente em função da correlação dos ativos que a compõe - sendo este um fator popularmente negligenciado. Ativos de correlação alta (próximo de 1) são redundantes, compartilham do mesmo risco. Ativos de correlação alta negativa (próximo de -1) anulam os ganhos do outro. Ativos não-correlacionados (próximo de 0) tem a sua variação independente do outro.

> "Diversificação é o único almoço-grátis em investimento."
>
> Harry Markowitz, Nobel de Economia e principal referência na teoria moderna de portfólio.

Resumidamente, é importante **diversificar em ativos de correlação baixa**. Para sua “sorte”, se você está lendo isso, você provavelmente já usufrui dessa vantagem em relação aos *no-coiners*. Afinal, um dos maiores apelos do mercado de criptoativos é a sua [baixa correlação](https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2096232019300885) com as demais classes de ativos! No entanto, no quesito intramercado, [criptoativos são extremamente correlacionadas](https://www.hodlbot.io/blog/how-many-cryptocurrencies-are-simply-following-the-market) - razão pela qual a diversificação entre elas é ineficiente.

Agora, com esse conceito em mente, cabe a você aplicá-lo na construção da sua carteira de investimentos, adequada para o seu perfil. Lembre-se que há **diversas frentes de diversificação**, como (i) entre classes de ativo; (ii) entre diferentes ativos dentro de uma mesma classe; (iii) entre estratégias diferentes; e (iv) entre alocadores diferentes (pessoalmente, ou tercerizando via fundos)

Tenha consciência que aqui estamos tratando de uma **fatia específica** dela - “operações técnicas em criptoativos”. Delimitar a quantia que será dedicada para esta atividade é uma decisão pessoal sua. Quanto mais iniciante você for, menor é recomendada essa alocação.

## ***`Stop-loss`***

Simplificadamente, há quatro resultados possíveis para cada operação realizada – ganhar pouco, ganhar muito, perder pouco e perder muito. O papel do gerenciamento do risco é eliminar o último cenário. **Você não pode se permitir perder muito em uma única operação**! Essa é a regra fundamental para garantir a sobrevivência no mercado. Para exercer a atividade de *trading*, é necessário se manter “vivo”.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mOZHyq9DbHump3FtG%2F-M8mSMb2wlGNGUv9TjbY%2Fimage.png?alt=media\&token=46d1cf6f-f053-4ba3-8ead-1dfde9b2a221)

Lembre-se que, para cada estratégia operacional, há **condições específicas de entrada e saída**. E que, em sua construção, a ideia sempre é maximizar o lucro nas operações ganhadoras e minimizar o prejuízo nas operações perdedoras. As entradas e saídas, portanto, devem justamente refletir a expectativa de se ganhar muito (o que se manifesta na forma de "alvos") e de não perder muito (o que se evita com "limites de perda").

A maneira mais habitual de **estabelecer um limite de perda** é através de um “*stop-loss*” – uma ordem automática que zera uma posição no prejuízo, assim que condições específicas forem acionadas.

Assim, como uma medida de contenção de risco, a conduta habitual de *traders* profissionais é a de colocar uma ordem de ***stop*****&#x20;em todas as operações realizadas, logo que forem iniciadas.**

As táticas mais comuns para posicionamento do *stop* serão abordadas em outro texto. Como referência, um exemplo simples é o de posicionar no extremo oposto da barra que iniciou a operação (a mínima, para compras; a máxima, para vendas).

## ***`Position Sizing`***

O *stop* é apenas uma das duas variáveis que compõem o gerenciamento de risco. A segunda é o que os norte-americanos chamam de “*position sizing*”: o tamanho da posição.

Como determinar a quantia alocada por operação? A resposta para essa pergunta é uma consequência da perda financeira máxima que você estará disposto a arriscar. Ou seja, ela é a variável **endógena** da equação. Enquanto o *stop* é determinado pela estratégia operacional, o risco é determinado por você.

$$
amplitude.do.stop \* tamanho.da.posição = risco.máximo.individual
$$

Assim, a pergunta inicial dá lugar a outra: como determinar a perda máxima desejada? Ou ainda, existe uma quantidade ótima?

Em suma, apesar de ser uma decisão pessoal, **o capital utilizado por operação precisa ser pequeno o suficiente para acomodar uma sequência de perdas sem que você vá à falência, e que você esteja psicologicamente confortável de aceitar como risco.** A quantidade ótima seria o máximo que respeitasse essa regra. Contudo, na prática você não tem como saber a extensão dessa sequência, nem a sua magnitude (sem uma bola de cristal) - apenas uma estimativa dada pelo resultado passado da estratégia operacional empregada.

Neste sentido, a abordagem sugerida para definir o risco máximo por operação é recorrer aos *backtests*. Como vimos anteriormente, mesmo estratégias operacionais com expectativa matemática positiva apresentam perdas (não existe 100% de índice de acerto). Vamos assumir que (i) a maior perda acumulada da sua amostra ("*drawdown*") de resultados foi 10 “riscos”, e (ii) o maior prejuízo acumulado foi de 20%. Assim, de um lado (i) a sequência perdedora sugere que você jamais deveria colocar em risco mais de 10% do seu capital inicial para trading por operação (dado que, com 10 *stops* consecutivos, você iria a falência) e (ii) o prejuízo de 20% administra sua expectativa quanto a maior perda que você eventualmente teria.

**Exemplo**: Suponha que seu capital dedicado a operações técnicas é de 10 mil reais. Sob esta abordagem, você resolveu colocar em risco 500 reais por operação (que equivale a 5% do “bolo”, dando uma “gordura” em relação aos 10% que o *backtest* sugeriu). A sua estratégia operacional tem uma política de *stop* de posicioná-lo na mínima do *candle* de abertura da posição. Houve um acionamento de compra do ativo X, ao preço de 100 reais por ativo, em uma barra cuja mínima era 96 reais. Assim, qual seria o tamanho da posição?

{% hint style="info" %}
4% x Tamanho = 500. Tamanho = 12.500 reais.
{% endhint %}

No exemplo acima, o valor de 500 reais utilizado, que equivale a 5% do seu capital, foi definido em função do *drawdown* (sendo metade do máximo suportado pelo *backtest*). Há diversas outras maneiras de definir esse valor, derivado de outras métricas do *backtest*. Dentre elas, talvez a mais reconhecida seja o "[Critério de Kelly](https://www.investopedia.com/articles/trading/04/091504.asp)": de forma resumida, o critério desenvolvido por um [cientista  ](https://en.wikipedia.org/wiki/John_Larry_Kelly_Jr.)consiste em uma fórmula matemática que maximiza o valor esperado de uma aposta, baseado no **índice de acerto** e no **payoff**.\
\
Ainda, uma outra abordagem é definir uma quantia arbitrária. Se servir de referência, [Alexander Elder](https://books.google.com.br/books/about/The_New_Trading_for_a_Living.html?id=p28TBwAAQBAJ\&source=kp_book_description\&redir_esc=y) popularizou a regra de estabelecer um teto de 2% do capital (dedicado a *trading*) como risco por operação. Assim, na hipótese de 10 *stops* consecutivos, seu capital seria reduzido em "apenas" 20%.


# Influências Psicológicas

É hora de conhecer o segundo pilar de sobrevivência no mercado: aprender a lidar com seu principal inimigo. Você.

Até agora, cobrimos os princípios que orientam a tomada de decisão de um analista técnico. Em suma, temos que os únicos objetivos de um *trader* são (1) estudar estratégias operacionais e (2) executá-las de acordo com o contexto e ativo adequados. A priori, é de se imaginar que o primeiro objetivo seja o mais complicado. Contudo, o que se observa na prática é o oposto - justamente porque a **execução envolve o lado emocional**.

## `Controle Emocional`

Apesar de clichê, o componente psicológico talvez seja, para a maioria das pessoas, o maior impeditivo do sucesso como investidor. É preciso ter consciência que a atividade de investir requer um conjunto de características **contrárias a impulsos primazes da natureza humana**. Por esta razão, frieza é considerada uma qualidade pessoal imprescindível neste meio: a habilidade de identificar e bloquear interferências emocionais na sua conduta, diante de reações psicológicas provocadas por movimentos nos preços (e no seu bolso).

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mOZHyq9DbHump3FtG%2F-M8me4R6LFFQIvtJk6If%2Fimage.png?alt=media\&token=84ee9d6b-19f7-43ec-a86e-7642e6ffe3be)

Você já deve ter ouvido falar que o segredo para se ganhar no mercado é comprar na baixa e vender na alta. Parece fácil, não? O bitcoin caiu mais de 70% de sua respectiva máxima histórica em 4 ocasiões desde a sua existência. As principais bolsas mundiais, caem 20% com relativa frequência. Quantas pessoas compram nesses períodos? Quantas vendem? Nosso cérebro é condicionado a fugir de situações de perigo. Adivinha os sinais que essas quedas provocam no corpo....

{% hint style="danger" %}
Por mais simples e intuitivo que seja a conduta de comprar quedas, a maioria das pessoas simplesmente não consegue colocá-la em prática.&#x20;
{% endhint %}

O som do canhão é muito alto. Neste sentido, é popular o conceito de que a **força mais poderosa do mercado é o medo**. Este que, de um lado, motiva as pessoas a venderem posições em períodos de forte queda, e explica o porquê tais movimentos são geralmente mais íngremes que sua contraparte. Por outro, motiva-as a comprar depois de uma forte alta, pelo medo de ficar de fora (“FOMO - *Fear of Missing Out*”).

Resultado? Compram o topo, vendem o fundo. Repetem até esgotar o dinheiro e saem revoltadas do mercado.

## `Teoria da Prospecção`

**Finanças comportamentais** é um campo da economia moderna dedicada a estudar a influência da psicologia no processo de decisões financeiras. Anedotas e narrativas como a do poder do medo, que eram a norma diante de uma evidência avassaladora de comportamentos irracionais generalizados nos mercados, tornaram-se **ciência**.

A “[Teoria da Prospecção](https://en.wikipedia.org/wiki/Prospect_theory)” de Daniel Kahneman é considerada o maior marco desta transição na abordagem do tema, e propulsor desta área de estudo. A obra sintetiza décadas de observações empíricas e inferências a respeito do comportamento humano no mercado financeiro, de modo que rendeu um Nobel de economia ao autor. Em especial, pelo embate que colocou para as principais teorias econômicas da época, em que era habitual assumir racionalidade das pessoas como premissa.

Talvez a maior contribuição da teoria seja a introdução do conceito de **aversão à perda**, capaz de explicar um fenômeno muito debatido na literatura: a disposição dos investidores em segurar posições perdedoras em detrimento às ganhadoras, conhecido como “[*Disposition Effect*](https://en.wikipedia.org/wiki/Disposition_effect)”.

Resumidamente, o conceito propõe que as pessoas atribuem maior valor a perdas do que a ganhos - a função de utilidade para prejuízos é convexa e mais íngreme do que para lucros. Em outras palavras, perdas provocam um impacto emocional de dor maior do que o de satisfação em ganhos, para a mesma quantidade financeira. Desta forma, investidores têm maior propensão a risco em posições com prejuízo, na esperança de que volte para o lucro.

Analogamente, a possibilidade de uma posição ganhadora se tornar perdedora faz com que investidores tenham uma propensão menor a risco em posições no lucro. Em ambos, a tomada de decisão é motivada pela tentativa de eliminar uma perda, mesmo que o resultado não seja financeiramente racional.

{% hint style="warning" %}
A aversão à perda, assim, sobrepõe a popular aversão ao risco: o risco é aceitável quando se busca evitar a perda.
{% endhint %}

Qual o paralelo com o que postamos anteriormente? A aversão à perda **reforça a necessidade de&#x20;*****stops*** em todas as operações, e determina as estratégias operacionais adequadas ao seu perfil. Lembre-se que o principal comprometimento de estratégias com *payoff* alto é um menor índice de acerto - ou seja, uma frequência maior de perdas. É preciso suportá-las. O objetivo do *stop* é eliminar cedo as posições perdedoras. O objetivo do alvo e da política de saída de posições é garantir que você não saia precocemente das posições vencedoras. Essas são as ferramentas que previnem o *Disposition Effect*.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mOZHyq9DbHump3FtG%2F-M8mf7L8KMgdm-Fv-1Hz%2Fimage.png?alt=media\&token=96e93ed0-9662-46f6-aabe-2a20fcb80226)

A literatura atual é repleta de novas teorias e evidências científicas de outros comportamentos irracionais, cujo detalhamento mereceria centenas de páginas. A mensagem principal que queremos passar é que o descontrole emocional é comprovadamente um obstáculo que deve ser superado para ter sucesso nessa profissão. Como iniciante, essa tarefa é excepcionalmente difícil.

A opção por estratégias sistemáticas possui o apelo de forçar uma disciplina de execução, por não dar espaço para subjetividade. Em contrapartida, a discricionariedade em estratégias viabiliza influências emocionais. Escolha com consciência.

## `Expectativas`

Finalmente, finalizamos o tópico com um aspecto psicológico secundário, mas que merece devida atenção: a **administração das expectativas.**&#x20;

{% hint style="warning" %}
Uma pessoa que adentra a atividade de *trading* com a pretensão de enriquecer rapidamente e facilmente provavelmente quebrará a conta.
{% endhint %}

Apesar de ganhar muito dinheiro em pouco tempo ser possível, isto será às custas de um risco excepcionalmente elevado. A proporção dos que são capazes de fazer isso com sucesso e os que faliram no caminho devem ser próximas às de se ganhar na Mega Sena.

{% hint style="success" %}
O mercado remunera os pacientes, os estudiosos e os equilibrados.
{% endhint %}

> * A mentalidade correta é começar essa atividade com muita cautela.
> * Procurar abstrair o máximo de informação e realizar testes por conta própria.
> * Desenvolver uma estratégia vencedora adequada para o seu perfil.
> * Executá-la com maestria.
> * Monitorá-la e otimizá-la com frequência.
> * Aumentar o risco por operação conforme ganhar experiência, e consistência.
> * Aprender com os erros.
> * Reconhecer suas fraquezas emocionais e aprender a lidar com elas.
> * Lembrar-se que o mercado pune sem piedade

{% hint style="danger" %}
Uma fortuna acumulada em anos por ser eliminada em um dia.
{% endhint %}

Como descrito pelo #5 [axioma de Zurique](https://books.google.com.br/books/about/The_Zurich_Axioms.html?id=0HDHPgAACAAJ\&source=kp_book_description\&redir_esc=y), o mercado é essencialmente um **caos**. Respeite a sua imprevisibilidade. Não caia na ilusão de que existe ordem. Estudar melhora suas chances de sucesso, mas saiba que você ainda está lidando com o caos, em um ambiente extremamente competitivo, contra as melhores cabeças do mundo. Você não tem o poderio e as informações das grandes instituições. O emprego de uma estratégia rentável com perfeição pode não ser suficiente. **Não há nada garantido**.

Se você estiver preparado para lidar com isso, seja BEM-VINDO.

{% hint style="info" %}
Na [próxima seção](https://app.paradigma.education/feed/post/DVSPCbMzfeysOFNkXQbX), entenderemos o que os caixotes encontrados nos gráficos representam, assim como técnicas que essa ferramenta permite.
{% endhint %}


# Formações de Candles

Candles - o gráfico de velas - são o estilo mais popular de descrever movimentos de preço. Quais informações essa ferramenta fornece? Existem padrões? Como trabalhar com eles?

O padrão de visualização gráfica que você encontrará na maioria das plataformas (como o [TradingView](https://www.tradingview.com/wiki/Renko_Charts), ou os sistemas nativos de *exchanges*) consiste em vários caixotes com riscos verticais, que se movimentam para a direita, em cores diferentes. Ao abrir o gráfico do bitcoin, por exemplo, é com isso que você se depara:

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mOZHyq9DbHump3FtG%2F-M8miGHzoYwCMHkH6NqO%2Fimage.png?alt=media\&token=2c162271-bf17-4a8b-8ff6-8caea26761a7)

Afinal, do que se trata?

O gráfico de velas (em inglês, “*candlesticks*”) é uma forma de representar a evolução no preço de um ativo, originada no Japão há centenas de anos atrás. Dentre um número crescente de [alternativas](https://www.tradingsetupsreview.com/10-types-of-price-charts-for-trading/), é notável como esta se consolidou como a mais popular, especialmente considerando a sua idade.

## **`1. Componentes de um Candle`**

Cada vela, ou *candle*, é uma função de três fatores:

O **período** de um *candle* se refere ao tempo necessário para cada formação individual. Ou seja, se o período selecionado é de 10 minutos, isso significa que a cada 10 minutos um novo *candle* será produzido, com informações referentes a movimentação durante esse tempo. Como referência, usualmente, *scalpers* trabalham com períodos inferiores a 10 minutos; *day-traders*, com períodos inferiores a 60 minutos; *swing-traders*, com gráficos diários; e *position-traders*, com gráficos semanais. Vale ressaltar que *candlesticks* são uma forma de visualização gráfica **temporal**, mas há alternativas **atemporais** (como o [renko](https://www.tradingview.com/wiki/Renko_Charts), em que novas velas são produzidas por variações de preço, em vez de períodos).

O **formato** de um *candle* é determinado por 4 informações - a abertura, o fechamento, a máxima e a mínima, do período selecionado (OHLC, em inglês). A “caixa” é o chamado “corpo” do *candle*, cujas extremidades são a abertura e o fechamento. O “risco” é a chamada “cauda” ou “sombra” do *candle*, cujas extremidades são a máxima e a mínima.

A **cor** de um *candle* se popularizou como uma forma de expressar se o preço subiu ou caiu, no período selecionado. Se o fechamento for maior que a abertura, o usual é que o *candle* seja colorido de verde - e de vermelho, para o inverso. Note que a maioria das plataformas atuais permitem a customização dessas cores, com regras que vão além de um fechamento positivo/negativo.

## **`2. Formações Clássicas`**

As primeiras técnicas de formações de *candles*, apesar de atribuídas a [Homma Munehisa](https://www.goodreads.com/book/show/40886872-the-candlestick-trading-bible), foram introduzidas ao ocidente por Steve Nison através de seu livro “[Japanese Candlestick Charting Techniques](https://books.google.com.br/books?id=-gXKAgAAQBAJ\&dq=inauthor:%22Steve+Nison%22\&source=gbs_navlinks_s)”. Nele, o autor aborda como determinadas formas e sequências de *candles* produzem sinalizações preditivas para o comportamento dos preços, por refletirem a emoção dos investidores (lembre-se que na época gráficos eram feitos a mão, e indicadores não existiam).

Assim, constitui-se uma das primeiras formas de abordagem a investimentos baseado exclusivamente em comportamento de preço, um precursor do enorme arsenal de ferramentas da análise técnica como conhecemos hoje.

A imagem a seguir sintetiza os padrões mais populares propostos por Steve Nison, assim como alguns adendos contemporâneos. A peculiaridade é que todos sinalizam uma **reversão do movimento prévio,** como explicaremos adiante. Ressaltamos, o importante aqui é **entender** o racional das inferências do autor, ao invés de decorá-los.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mOZHyq9DbHump3FtG%2F-M8mieSijExHRn1Bva87%2Fimage.png?alt=media\&token=85518c99-5c58-4e69-9e06-feac1d164a7c)

{% hint style="info" %}
Muito abstrato? Nomes estranhos? Há uma lógica extremamente simples para cada um.
{% endhint %}

## **`3. Formas Básicas`**

Primeiro, é possível segmentar três formatos excepcionais de *candles*. Estes que, apesar de não constituírem um padrão, tem uma significância própria. As sinalizações que produzem são genéricas - independem do contexto em que aparecem, da movimentação prévia.

O *candle* **Doji** é aquele com o mesmo preço de abertura e de fechamento, que resulta em uma aparência similar à de uma cruz. Sua sinalização é de dúvida, indecisão entre os investidores, dado que nenhuma das forças (compradora ou vendedora) foi capaz de superar a outra no período;

O *candle* **Marubozu** é aquele cuja abertura e o fechamento são também as máximas e as mínimas do período, que resulta na ausência de sombras (em alusão a um “homem careca”, o significado do nome em japonês). Em total contraste com o Doji, essa forma é uma clara demonstração de força de um dos lados do mercado, de tal maneira que a direção dos preços foi mantida do começo ao fim até o extremo oposto da abertura;

O *candle* **Spinning Top** é aquele com sombras longas e um corpo relativamente pequeno (em alusão a um pião, o significado do nome em inglês). Este, em semelhança ao Doji, também sinaliza indecisão, uma vez que reflete como preços tentaram uma movimentação direcional forte para ambos os lados mas não conseguiu se firmar em nenhum deles, retornando para uma faixa próxima à abertura.

## **`4. Formações de 1 candle`**

Começaremos com os padrões que são determinados por um *candle* único, cuja sinalização difere dependendo da movimentação dos preços anterior. Cada dupla a seguir representa um espelho da outra (conotações altistas e baixistas), por isso foram agregadas.

**Martelo e Estrela Cadente**: essa formação se dá por uma sombra longa na direção do movimento prévio e um corpo pequeno, que fecha próximo ao extremo oposto da sombra (a rigor, o fechamento é o extremo oposto, ou seja, sem a existência da sombra em um dos lados). O caráter de reversão ocorre pela sombra longa refletir como os preços tentaram produzir uma nova mínima (no caso do martelo) e uma nova máxima (no caso da estrela cadente) mas foram negados. A negação é tão forte que os preços fecham na ponta oposta, em contraste com a movimentação prévia, sinalizando o início a uma reversão.

{% hint style="info" %}
Dentre todas as formas aqui abordadas, o martelo é provavelmente a mais popular.
{% endhint %}

**Martelo Invertido e Enforcado**: essa formação é igual a anterior, com exceção da sombra longa ser na direção inversa ao movimento prévio. O caráter de reversão ocorre pelo corpo pequeno sinalizar uma desaceleração, mesmo que a sombra seja na ponta contrária. O preço visita a região de uma nova máxima (no caso do enforcado) e nova mínima (no caso do martelo invertido), mas falha em ganhar impulso e fecha contra a movimentação prévia.

Uma observação é que, pelos resultados apresentados por Bulkowski (discutido adiante), esse padrão falha na maioria das vezes, sendo um dos piores em uma lista de mais de 100 formações.

**Libélula e Lápide**: essa formação é como uma versão Doji do martelo e da estrela cadente, respectivamente. As sinalizações e o racional são os mesmos, com o adendo de que a ausência de corpo do Doji dá um teor de indecisão que contrasta com uma demonstração mais direcional das suas contrapartes com corpo (que não significa muito, pelos corpos serem pequenos).

## **`5. Formações de 2 candles`**

Um passo adiante em complexidade, chegamos aos padrões determinados por dois *candles*, que são contrários e em sequência.

**Engolfo**: essa formação se dá por um *candle* cujo corpo “engole” completamente o corpo anterior. A rigor, as sombras são irrelevantes, o fator determinante é as extremidades do corpo superarem as extremidades do corpo anterior. O caráter de reversão ocorre pelo preço abrir abaixo do fechamento anterior (no engolfo de alta), dando a entender que continuaria o movimento prévio, mas negar essa movimentação com tamanho ímpeto que supera a abertura anterior - o inverso, para o engolfo de baixa. A formação é fortalecida quanto maior o contraste de tamanho entre os corpos.

{% hint style="warning" %}
Uma observação é que a forma padronizada exige *gaps* (quando o preço de abertura difere do preço de fechamento anterior, criando uma “janela/vácuo” no gráfico, um fenômeno que não ocorre no mercado de criptoativos pelo mercado funcionar 24 horas por dia). Uma alternativa é o “***outside candle***”, que leva em conta as sombras.
{% endhint %}

**Harami**: essa formação é o engolfo, com a sequência invertida. Ou seja, o corpo do *candle* está completamente “contido” no corpo anterior. Em alusão à uma mulher grávida (significado do nome em japonês), a sinalização é que o “filho” que está para nascer representa uma quebra da movimentação anterior, que irá “crescer” em uma reversão.

{% hint style="warning" %}
A mesma observação sobre *gaps* é válida. Uma alternativa é o **“*****inside candle*****”**, que assim como o *outside*, leva em conta as sombras.
{% endhint %}

**Perfurante e Nuvem Negra**: essa formação se dá por uma abertura em *gap* a favor da movimentação anterior, mas com o fechamento superior a 50% do corpo anterior na ponta contrária. O caráter de reversão ocorre pela movimentação refletir uma negação do fundo que foi perdido no *gap* de abertura (no caso do perfurante) e do topo que foi superado (no caso da nuvem negra). O fechamento que penetra mais da metade do corpo anterior é a demonstração de força dessa negação. Note que, se 100% do corpo for superado, a formação se torna um engolfo.

{% hint style="warning" %}
Novamente, a observação sobre *gaps* é válida. Para criptoativos, uma sombra longa pode servir de alternativa para “compensar” a ausência do *gap*.
{% endhint %}

**Torres Gêmeas**: essa formação se dá por dois *candles* contrários idênticos em sequência, como uma espécie de negação simétrica do movimento anterior. Para configurar uma torre, a rigor o *candle* precisa se destacar em tamanho, de corpo grande e sombras pequenas - na versão extrema, seriam dois marubozus consecutivos. Lembrando, quanto maior a amplitude, maior será a demonstração de negação e consequente sugestão de reversão.

Vale ressaltar que essa formação não é apresentada por Nison. Ela pode ser encarada como uma adaptação da formação clássica de “pinça”, em que apenas uma extremidade exige simetria (como possuir a mesma máxima, ou a mesma mínima). Ainda, há outras variações desse conceito, como as “*pin bars*” (uma abreviação de Pinóquio), em que os *candles* possuem corpos pequenos e sombras longas contrárias a movimentação anterior (em alusão a uma mentira, que inspira o nome).

## **`6. Formações de 3 candles`**

Finalmente, terminamos o tópico com padrões que são determinados por uma sequência específicas de três *candles*.

**Estrela da manhã e da tarde**: o conceito de “estrelas” diz respeito a *candles* que contrastam tanto o *candle* prévio como o *candle* subsequente, em distanciamento e em amplitude. A sequência é caracterizada por (i) um *candle* grande, em favor do movimento anterior; (ii) seguido de um *candle* pequeno - em sombra e em corpo - que abre em *gap*, na direção do movimento prévio e (iii) seguido por um *candle* grande na direção oposta, que também abre em *gap*. O caráter de reversão é primeiro sugerido pelo *candle* estrela (o do “meio”, que quebra o impulso do *candle* inicial) e confirmado pelo terceiro, cujo tamanho sinaliza uma anulação do *candle* inicial.

Essa formação é relativamente rara e notória por produzir topos (no caso da estrela da tarde) e fundos (no caso da estrela da manhã), como proposto pelo autor.&#x20;

{% hint style="info" %}
Vale ressaltar que há uma versão mais extrema, em que os *gaps* que distanciam o *candle* estrela são tão potentes que nem as sombras se tocam. O *candle* do meio fica completamente isolado, razão pela qual o nome dessa formação é “**bebê abandonado**”.&#x20;
{% endhint %}

Este, mais potente e mais raro, é comumente antecipado, assim que o suposto terceiro *candle* da sequência abre em um *gap* além da sombra do segundo.

Vocês já devem estar antecipando que… novamente, a observação sobre *gaps* é válida. Para criptoativos, para superar a ausência dos *gaps*, um contraste notável de tamanho do *candle* do meio e das pontas pode servir de alternativa.

Como colocamos anteriormente, o racional dos padrões prevalece sobre a rigidez geométrica. A inferência de reversões, em todos os casos, é justificada por uma movimentação de preço que **quebra a impulsividade do movimento anterior, seja através de uma desaceleração, uma dúvida, ou uma demonstração de força contrária.**

## **`7. Resultados`**

Sim, parece abstrato. Você deve estar se perguntando: "Mas então, isto serve ou não serve para alguma coisa"? Qual a confiabilidade das inferências destes padrões?

Como de costume, não se deve acreditar em nada que qualquer autor escreva (incluindo nós), mas sempre realizar testes por conta própria para validar ou não o que lhe é apresentado.

Apesar de desatualizados, os [estudos](http://thepatternsite.com/CandleEntry.html) de Thomas Bulkowski fornecem uma boa referência estatística para as formações de velas. De uma forma geral, corroborado pelos resultados, a aplicabilidade exclusiva das técnicas clássicas de *candlesticks* é extremamente questionável para os mercados atuais, de forma que muitos *traders* as negligenciam por completo.

É comum, no entanto, sua utilização como **ferramenta complementar,** em especial **condicionada a um contexto específico**. Como veremos na última seção desta série, duas das estratégias que serão rastreadas pela plataforma derivam de *candles* específicos (somados a outras condições), ainda que diferentes dos clássicos.

{% hint style="info" %}
Na [próxima seção](https://app.paradigma.education/feed/post/Xw2kIPafv05IaBhaWDYO), veremos como os preços apresentam dinâmicas de comportamento recursivas, e como tirar proveito delas.
{% endhint %}


# Anatomia dos Preços

Que história conta o gráfico de preços de um ativo? Quais forças condicionam como os preços se movimentam?

Uma das teorias popularizadas sobre o mercado é a sua natureza **fractal** – conforme proposto por [Edgar Peters](https://books.google.com.br/books/about/Fractal_Market_Analysis.html?id=_bkoySKyc_cC\&source=kp_book_description\&redir_esc=y). Fractal, em geometria, caracteriza formas divisíveis em partes que replicam atributos do todo. A aplicação da teoria ao mercado sugere que **preços em diferentes ativos e periodicidades se comportam de maneiras estruturalmente similares**. Seja através de grandes ciclos, ou figuras em escalas ínfimas, os mesmos padrões observados em um fragmento (como um gráfico de 1 minuto), são replicados em maiores escalas (como um gráfico semanal). Ou ainda em outros ativos, datas etc.

A mensagem é que o comportamento dos preços possui uma organização estrutural própria, rodeada por conjunto de dinâmicas apresentadas abaixo.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mOZHyq9DbHump3FtG%2F-M8mkZYriQka-PvM7pqa%2Fimage.png?alt=media\&token=f8b9ba3a-cc3b-4bff-b1f9-7232fd5acf7a)

Um sintoma da percepção pública errônea acerca da análise técnica, é o constante questionamento para *traders*: para onde o preço do ativo X está indo? Um profissional responderia que não tem a menor ideia, afinal, sua atividade não se propõe a prever o imprevisível. O objetivo é tomar decisões baseadas nas condições **presentes**, e ter uma metodologia de como tratar o futuro.

A pergunta correta deveria ser: o que o gráfico do ativo X está demonstrando, **agora**?

Apesar de envolver uma dose de interpretação, a resposta deve ser relativamente objetiva. Para isso, é possível estabelecer um **protocolo** de como avaliar graficamente um ativo, através de duas perguntas extremamente simples:

* A. Qual força está em domínio: compradores, vendedores ou nenhuma?
* B. Há obstáculos e proteções nas proximidades do preço atual?

Como veremos a seguir, os conceitos de **tendência** e **congestão** respondem “A”, enquanto os conceitos de **suporte** e **resistência** respondem “B”.


# Tendências e Congestões

Uma das características mais notáveis no comportamento dos preços é a sua não-linearidade: alternam altas e baixas, em amplitudes e sequências diferentes. Independente da trajetória, nenhum ativo sobe ou cai indefinidamente.

Essa dinâmica, que desenha “zigue-zagues”, resulta na produção de **“topos”** (ponto máximo de uma sequência de alta) e **“fundos”** (ponto mínimo de uma sequência de baixa), **locais**.

A partir desse conceito, o comportamento dos preços pode ser definido, essencialmente, por dois **estados antagônicos**:

## `Tendência`

{% hint style="info" %}
É o estado marcado pela **direcionalidade**: os preços se movem consistentemente em uma mesma direção.&#x20;
{% endhint %}

Da forma mais simplória possível, uma tendência é estabelecida assim que um topo e um fundo forem mais altos ou mais baixos que o prévio - movimento que recebe o nome de **pivô,** de forma que:

Uma **tendência de alta** é composta por uma sequência de topos e fundos **ascendentes**, iniciadas por um pivô de alta (“bullish”, pela terminologia americana popular, em alusão à chifrada de baixo para cima dos touros).

Uma **tendência de baixa** é composta por uma sequência de topos e fundos **descendentes**, iniciadas por um pivô de baixa (“bearish”, em alusão à patada de cima para baixo dos ursos).

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8n0QZCZDQcuK8AAIwF%2F-M8n2Y44tlEJZks79zGN%2Fimage.png?alt=media\&token=7ab57b10-c163-4447-be9f-89eb4cccaaca)

{% hint style="warning" %}
Uma tendência, assim, é observada quando os zigue-zagues de preço seguem uma **trajetória**.&#x20;
{% endhint %}

Estes, inclusive, recebem uma taxonomia diferente para este contexto: sob o estado de tendência, as movimentações em seu favor são tipicamente maiores (em tamanho e duração), popularizadas como “**pernadas**”; em contrapartida, as movimentações contra são tipicamente menores, popularizadas como “**correções**”.

## `Congestões (e Consolidações)`

{% hint style="info" %}
Estes, inversamente, correspondem ao estado marcado por uma movimentação não direcional dos preços.&#x20;
{% endhint %}

Essa **ausência de direção**, na maioria das vezes produz um deslocamento lateral, em que os preços oscilam dentro de uma faixa - cuja parte superior age como o topo; e a inferior age como fundo.

{% hint style="warning" %}
Os zigue-zagues, dessa forma, não seguem uma trajetória. O ativo fica “preso” dentro de uma faixa.
{% endhint %}

Apesar de comumente tratadas como sinônimos, há distinções na literatura quanto os conceitos de congestões e consolidações:

* a primeira, denotando uma movimentação mais **caótica, ampla e duradoura**;&#x20;
* a segunda, denotando uma movimentação mais **ordenada, estreita e breve** (inclusive, podendo ser observada como uma forma de correção em uma tendência).

{% hint style="success" %}
Assim, temos condições de responder a primeira pergunta do protocolo:&#x20;

* o domínio da força compradora é identificado por uma tendência de alta;&#x20;
* o domínio da força vendedora, por uma tendência de baixa;&#x20;
* e a ausência de domínio, por uma congestão.
  {% endhint %}


# A Heurística da Inércia

A importância em distinguir se um ativo se encontra em tendência ou em congestão ocorre em função de um **componente inercial** que, por via de regra, atua sobre todos os ativos, em todas periodicidades. Inércia, no sentido da movimentação recente no preço influenciar a sua movimentação futura, na mesma direção.&#x20;

{% hint style="info" %}
Um ativo em tendência de alta, tende a permanecer subindo. \
Um ativo em tendência de baixa, tende a permanecer caindo.
{% endhint %}

Na academia, essa heurística é reconhecida como "[*momentum*](https://seekingalpha.com/article/4006642-understanding-momentum-factor)", um dos seletos fatores que foram [incorporados ](https://en.wikipedia.org/wiki/Carhart_four-factor_model)ao modelo mais relevante de descrever o retorno de ações, inicialmente [proposto ](https://en.wikipedia.org/wiki/Fama%E2%80%93French_three-factor_model)por [Eugene Fama](https://en.wikipedia.org/wiki/Eugene_Fama) e [Kenneth French](https://en.wikipedia.org/wiki/Kenneth_French). A [evidência ](https://www.aqr.com/Insights/Research/Journal-Article/Fact-Fiction-and-Momentum-Investing)na literatura é tamanha que o próprio Fama já [disse ](https://www.aqr.com/Insights/Perspectives/Fama-on-Momentum)que *momentum* "é o maior constrangimento para a [teoria de eficiência de mercado](https://en.wikipedia.org/wiki/Efficient-market_hypothesis)".

Assim, é estatisticamente vantajoso assumir que a trajetória dos preços em vigor continuará. Tendências são mantidas com mais frequência do que são revertidas.

{% hint style="success" %}
Por essa razão, a maioria dos *traders* profissionais buscam operações **a favor da tendência**.
{% endhint %}

Como [postulado por Charles Dow](https://www.investopedia.com/terms/d/dowtheory.asp), considerado um dos pioneiros da análise técnica, uma tendência é válida até que revertida. Antecipar o seu fim - tentando achar topos em uma tendência de alta, e fundos em uma tendência de baixa - é uma pretensão irracional.

A pressão direcional imposta pela tendência é para ser **aproveitada, e não combatida.** Neste sentido, a premissa de inércia nos preços condiciona a estratégia que será utilizada para cada contexto.


# Suportes e Resistências

Além dos zigue-zagues, uma outra **dinâmica no comportamento** dos preços é a formação de regiões de múltiplos contatos, em que as forças do mercado se concentram:

{% hint style="info" %}
**Suportes** são patamares de preço em que **quedas foram repetidamente rejeitadas**, como uma região defendida pelo exército dos comprados.

**Resistências** são patamares de preço em que **altas foram repetidamente rejeitadas**, como uma região defendida pelo exército dos vendidos
{% endhint %}

Para entendê-las, uma maneira fácil é encarar o mercado como uma guerra constante entre compradores e vendedores. Sob esta analogia, suportes e resistências são a representação de zonas em que cada exército se concentra - quando um oponente a visita, o exército entra em ação para defender o domínio do território em questão.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8n0QZCZDQcuK8AAIwF%2F-M8n5wDuGwvApxMpJqtj%2Fimage.png?alt=media\&token=8563c928-14b8-4f9a-a02a-88ff467fde6f)

Como espera-se uma forte pressão de venda em resistências, a postura adotada por *traders* é de buscar operações vendidas nesta região, nunca compradas. Analogamente, como espera-se uma forte pressão de compra em suportes, a postura é de buscar operações compradas nesta região, nunca vendidas. Não se deixe enganar por sua simplicidade - essa conduta é extremamente poderosa.

O intuito é explorar essa dinâmica: posicionar **compras próximas a regiões de suporte** (utilizando-as como *stop*), e **distantes à regiões de resistência** (utilizando-as como alvo). O inverso, para vendas. Assim, maximiza-se a relação de risco e retorno: você garante uma **assimetria positiva**.

Por esses fatores, sinalizações produzidas em regiões de suportes e resistências ganham uma atenção maior – elas fornecem **contexto ao gráfico**. Como pontos importantes de “batalha”, o lado vencedor tende a direcionar o movimento seguinte dos preços. Uma confirmação muitas vezes observada de que um novo exército venceu a batalha e conquistou o território, seria produzindo uma resistência em uma área que era previamente suporte (e vice-versa) – a “virada” na imagem.

## `Linhas de Tendência`

A imagem de cima, além de representar o estado de congestão abordado anteriormente, ilustra a forma mais habitual de tratar suportes e resistências: **horizontalmente, como regiões fixas.** Contudo, há uma variação **inclinada do conceito** onde os patamares de preço são **dinâmicos,** que recebe o nome de Linhas de Tendência.

{% hint style="warning" %}

* **Uma linha de tendência de alta (LTA)** representa uma região de **suporte, crescente.**
* **Uma linha de tendência de baixa (LTB)** representa uma região de **resistência, decrescente.**
  {% endhint %}

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8n0QZCZDQcuK8AAIwF%2F-M8n6EPQA1yEsa9Wmg-h%2Fimage.png?alt=media\&token=5f84ca05-4e47-4041-b4a4-a179a0469dcc)

O nome reflete a utilidade adicional que esta forma de suporte e resistência apresenta: a representação da impulsividade de uma tendência, através de sua inclinação.

{% hint style="success" %}
Finalmente, temos condições de responder a segunda pergunta do protocolo: **suportes e resistências equivalem a proteções e obstáculos para os compradores e à obstáculos e proteções para os vendedores, respectivamente.**&#x20;
{% endhint %}

Portanto, a presença de obstáculos é identificada pela aproximação de uma resistência (no caso de uma trajetória de alta) e de um suporte (no caso de uma trajetória de baixa); a presença de proteções, pelo inverso.


# Rompimentos e Recuos

Recapitulando, agora temos uma noção básica de como os preços se comportam: intercalam períodos de altas e baixas que configuram tendências ou congestões, e produzem no caminho regiões de **suporte** e **resistência** que fornecem contexto ao gráfico.

Como tirar proveito disso? É possível segmentar duas abordagens para operar esses conceitos.

## `Rompimentos`

{% hint style="info" %}
Denotam operações que exploram a **violação de um suporte ou de uma resistência**, com o intuito de que este evento dará início a uma movimentação direcional.&#x20;
{% endhint %}

Congestões e consolidações, dessa forma, fornecem o contexto perfeito para esse tipo de operação. Quanto mais definidos, melhor. Para *traders* mais agressivos, um simples toque fora de uma zona de suporte ou de resistência é suficiente para abrir uma posição. Para *traders* mais conservadores, é convencional esperar o **fechamento** da primeira barra (ou de N barras subsequentes) que fuja notavelmente dessa zona, e seu respectivo acionamento através da **superação** de sua máxima (se for na ponta da compra) ou mínima (se for na ponta da venda). O *stop*, na abertura da posição, é usualmente colocado no extremo oposto da barra que deu origem ao rompimento.

A principal vantagem dessa abordagem é a garantia de que, se o rompimento iniciar de fato uma movimentação direcional, você estará dentro desde o começo. A desvantagem é que rompimentos bem definidos geralmente ocorrem através de barras grandes (como as **“barras elefantes”**, popularizadas por [Oliver Velez](https://www.youtube.com/user/olvelez007/featured)), o que se traduz em um *stop* longo. Quando a barra que “rompe” é pequena, o posicionamento do *stop* em seu extremo facilita um cenário de acionamento indevido – em que é acionado pela volatilidade, mas logo em seguida retoma o movimento (configurando a famosa “violinada”).

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8n0QZCZDQcuK8AAIwF%2F-M8n7rhsUEYV3ZLzETVG%2Fimage.png?alt=media\&token=3e2bbf33-269b-45b7-a929-149e35a35825)

Outro aspecto para se atentar em operações de rompimento é o movimento que o precedeu. Rompimentos **“esticados”** são aqueles que ocorrem após uma movimentação significativa na mesma direção, o que aumenta a probabilidade de uma correção subsequente. Afinal, lembre-se que os preços não se movimentam na mesma direção indefinidamente.&#x20;

{% hint style="danger" %}
Portanto, constituem uma forma de rompimento "indesejada".&#x20;
{% endhint %}

Por exemplo, a superação de uma resistência após cinco (ou mais) dias consecutivos de alta, com barras amplas, “pede” por um “descanso”.

## **`Recuos (“pull-backs”)`**

{% hint style="info" %}
Denotam operações que exploram movimentações **contrárias ao rompimento imediato**, enxergando-as como uma oportunidade para “pular no barco” a um preço mais acessível.
{% endhint %}

Recuos após rompimentos são uma dinâmica muito observada, que representam uma espécie de “fôlego”. Dentre elas, duas configurações específicas se destacam:

**Re-testes** são os recuos em que os preços voltam para o patamar rompido, testando-o na ponta contrária. Estes, como consequência, produzem as viradas de suportes para resistências, e vice-versa (como ilustrado na primeira imagem desse texto). Esta forma é mais conservadora pois a “virada” supracitada é uma confirmação adicional de que a direção do rompimento será preservada, contudo exige paciência, dado que pode demorar diversas barras para ocorrer.

***Gifts*** são recuos de poucas barras (ou apenas uma) subsequentes ao rompimento, associados ao conceito de barra elefante supracitado. Tipicamente caracterizados por barras pequenas, permitem que o *stop* e o acionamento sejam posicionados neles, ao invés da barra elefante que o precedeu. A relação extremamente favorável de risco-retorno, proporcionado pelo encurtamento do *stop* e a inércia que o rompimento produz, dão razão ao significado do seu nome (“presente”, em inglês).

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8n0QZCZDQcuK8AAIwF%2F-M8n7uOI7uPOVdc8-tkF%2Fimage.png?alt=media\&token=dfaf7996-3c34-4ddd-85a7-83eb65cf5203)

A abordagem de esperar por recuos é uma alternativa de não incorrer ao *stop* longo das barras grandes que caracterizam um rompimento bem definido, sendo esta a sua principal vantagem. A desvantagem desse tipo de operação é a possibilidade de que os esperados recuos não se materializem. O que, dependendo da impulsividade do movimento, é comum (vide o primeiro exemplo de rompimento de cima, do bitcoin). Nesse cenário, a sua premissa de continuação da trajetória estaria certa, mas você ficaria de fora. Outra desvantagem, inerente à *stops* curtos, é a sua maior incidência.

{% hint style="warning" %}
Em suma, a decisão de operar rompimentos ou esperar por recuos envolve um ***trade-off*****&#x20;entre tamanho do&#x20;*****stop*****&#x20;e probabilidade de ficar dentro do movimento.** Além de não serem necessariamente excludentes.
{% endhint %}

{% hint style="info" %}
Na próxima seção, veremos como os padrões clássicos aprofundam os conceitos apresentados nesse texto, e facilitam a sua identificação.
{% endhint %}


# Padrões Clássicos

Conheça um conjunto de figuras gráficas que reflete a manifestação do comportamento humano nos preços: os chamados padrões clássicos.

No [texto introdutório](https://app.paradigma.education/feed/post/cWYHgJrX6du3xAtMx1hr) desta série, postulamos como um dos princípios da análise técnica é o de explorar o sentimento da massa do mercado. Essa mentalidade advém do paralelo entre a psicologia humana e **padrões** no comportamento dos preços, que se repetem independente do ativo e do tempo gráfico.

O conceito da **existência e da repetição** de determinados padrões nos gráficos se firmou como o maior pilar da análise técnica. Principalmente, ao introduzir uma filosofia de investir com completa indiferença com os fundamentos de um ativo, uma vez que as **sinalizações** de padrões fornecem uma vantagem suficiente para garantir uma estratégia vencedora. Neste sentido, pode-se considerar que todas as táticas que compõem o arsenal contemporâneo da análise técnica, sejam discricionárias ou sistemáticas, foram construídas por esta forma de encarar o mercado.

A literatura sobre padrões foi desenvolvida como uma espécie de colaboração inconsciente entre diversos investidores, ao longo da história. Não há um autor específico, apenas um conjunto de relatos sobre determinadas figuras que coincidiam entre si. O termo “clássico”, assim como as formações de *candles* supracitadas, faz referência (1) às origens supostamente de centenas de anos atrás e (2) à sua preservação ao longo do tempo, em que novas técnicas adaptam ou derivam das originais.

Mas afinal, quais são esses padrões? O que explicam a sua formação? Qual a confiabilidade deles?

Como veremos a seguir, as suas formações são diretamente ligadas aos conceitos da [seção anterior](https://app.paradigma.education/feed/post/Xw2kIPafv05IaBhaWDYO). Em especial, ressaltamos como os padrões clássicos consolidaram uma ferramenta de análise técnica completa: indicam não somente a **direção** futura dos preços, como também um **objetivo** de patamar a ser alcançado (alvo) e um patamar de **frustração** (*stop*).

Sobre os resultados, é preciso ter em mente que a discricionariedade dificulta uma mensuração precisa. Os [estudos](http://thepatternsite.com/chartpatterns.html) de Thomas Bulkowski novamente fornecem uma boa referência estatística para diversos padrões, além dos clássicos. Eles corroboram que, em contraste com as formações de *candles* [abordadas anteriormente](https://app.paradigma.education/feed/post/DVSPCbMzfeysOFNkXQbX), o uso exclusivo desses padrões como estratégia é viável, e muito utilizado até hoje.

{% hint style="info" %}
Note: nem todos os padrões clássicos serão apresentados. Reunimos aqueles que possuem uma identificação mais objetiva e que são suficientes para representar os conceitos abordados.&#x20;
{% endhint %}

As imagens ilustrativas foram retiradas e adaptadas do [Tradingspine](https://tradingspine.com/oldtradingspine/articles/chart-patterns/index.php).&#x20;

Apesar de haver inúmeros livros na literatura como referência desse conteúdo, “[Technical Analysis of the Financial Markets](https://books.google.com.br/books?id=teitAAAAQBAJ\&source=gbs_similarbooks)” de John J. Murphy é tido como o principal.


# Padrões de Continuação

Os padrões são comumente classificados pela forma que se relacionam à **movimentação prévia**.&#x20;

{% hint style="info" %}
Os de continuação, como o nome sugere, denotam aqueles cuja sinalização é de **continuidade do movimento.**
{% endhint %}

A imagem abaixo sintetiza os 5 principais padrões de continuação, e suas contrapartidas espelhadas. Nossa ressalva costumeira é a mensagem para os leitores focarem e entenderem o racional de suas inferências, em detrimento a decorá-las.

Apesar de suas peculiaridades, em todos, a continuação da trajetória previamente estabelecida é motivada pela **realização de lucros** dos investidores, e como essa realização foi **insuficiente para produzir um pivô inverso**. Para entender, pense numa maratona: períodos de descanso são necessários para retomar a direção e impulsividade prévias. Estes períodos se caracterizam por movimentações laterais, ou contrárias à anterior, mas falham em demonstrar força - são "contidos".

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mOZHyq9DbHump3FtG%2F-M8moJhGiFPGJnvbdZSF%2Fimage.png?alt=media\&token=e81fc275-0936-41c7-88f0-9e76f31a25c4)

## `Triângulos e Retângulos`

{% hint style="info" %}
Lembra que o comportamento dos preços intercala períodos de tendência e de congestão? Triângulos e retângulos **remetem a configurações específicas de congestões.**
{% endhint %}

**Triângulos simétricos** são caracterizados por uma movimentação de zigue-zague que vai afunilando, produzindo topos e fundos que decrescem simetricamente (os topos diminuem na mesma proporção que os fundos aumentam). Essa compressão possui uma validade, conforme o ápice do triângulo se aproxima, até que os preços se “decidem”.

**Triângulos ascendentes e descendentes** preservam a característica de afunilamento apenas no lado em favor da trajetória (no caso de alta, os fundos são crescentes; no caso de baixa, os topos são decrescentes), enquanto o lado contrário à trajetória mantém um patamar fixo. A movimentação é análoga a uma força crescente que empurra uma parede prestes a ceder (uma força estável).

**Retângulos**, por sua vez, são caracterizados por uma movimentação lateral, cujo zigue-zague ocorre dentro de uma faixa com suportes e resistências bem definidos. Como não afunila, essa figura tem um prazo indeterminado.

{% hint style="warning" %}
A similaridade entre eles é que a trajetória de topos e fundos prévia **não é violada, em conjunto**. No caso altista, em nenhuma instância há uma formação de fundos descendentes - na pior das hipóteses, é lateral. No caso baixista, não há uma formação de topos crescentes.
{% endhint %}

Quando se opera esses padrões, o alvo costuma ser a amplitude de suas figuras (representada pela distância de “1” a “2” da imagem), a partir do ponto em que a congestão é ultrapassada (representado pelo patamar “5”). O *stop*, por sua vez, costuma ser em alguma das extremidades da figura opostas ao rompimento (representadas pelos patamares “2” e “4”).

## `Bandeiras e Flâmulas`

{% hint style="info" %}
Lembra que tendências são compostas por pernadas e correções? Bandeiras e flâmulas remetem a **configurações específicas de correções, subsequentes a grandes pernadas**.&#x20;
{% endhint %}

Apesar de similares as figuras anteriores, essas se diferenciam por um contraste mais óbvio com o movimento prévio. Neste caso, a dinâmica é de um impulso nítido, grande em magnitude e parabólico em inclinação (em alusão a um mastro, que inspira os nomes), seguido por figuras **curtas em tamanho e em duração**.

**Bandeiras** são os padrões em que a correção é contrária ao mastro, simbolizada por um pequeno canal inclinad&#x6F;**.**

**Flâmulas** são os padrões em que a correção é lateral e vai afunilando, simbolizada por um pequeno triângulo.

{% hint style="warning" %}
Em ambas, a **preservação da força dominante** prévia é inquestionável. O período é mais indicativo de um mero respiro, do que um descanso.&#x20;
{% endhint %}

O alvo é costumeiramente projetado pela amplitude do mastro (novamente a distância de “1” a “2”, a partir de “4”). A recomendação conservadora do *stop* é no extremo da figura (o patamar “3”).


# Padrões de Reversão

{% hint style="info" %}
O segundo conjunto de padrões, como o nome sugere, denotam aqueles cuja sinalização é de **reversão do movimento prévio**.
{% endhint %}

Para entendê-los, vamos introduzir alguns conceitos adicionais sobre tendências. Primeiro, postulamos como a sua **existência** é facilmente identificada através de topos e fundos direcionais. Contudo, nada foi dito sobre a sua **força**. Como podemos avaliá-la?

Em linhas gerais, o único “propósito” de uma tendência é continuar renovando máximas (no caso altista) e mínimas (no caso baixista). Esse é um requisito para que uma trajetória seja mantida. As inferências sobre a força de uma tendência recaem sobre o comportamento dos preços nessa “zona” de renovação.

Apesar de subjetivo, em uma tendência “forte” o ativo não tem nenhuma dificuldade em renovar máximas e mínimas. Elas são rompidas com convicção e a movimentação seguinte é impulsiva e duradoura em relação às suas contrapartes (lembre-se da dinâmica de pernadas e correções). Neste sentido, as primeiras demonstrações de fraqueza são identificadas através de **pernadas decrescentes e menos íngremes.** Ou seja, uma máxima ou mínima é superada, porém a **movimentação seguinte é menor que a última vez em que isso ocorreu**. Essa dinâmica é extrapolada até que, em alguma das vezes, o ativo não terá mais capacidade de realizar essa renovação, e a tendência chegará ao seu fim. **A força dominante se exaure**.

Como veremos a seguir, os padrões de reversão são configurações específicas em que essa **impotência se manifesta**. A imagem sintetiza os 4 deles. Apesar de suas peculiaridades individuais, em todos a reversão da trajetória previamente estabelecida é motivada pelo **esgotamento da força dominante**, suficiente para produzir um pivô inverso. O contexto é análogo a um veículo ficando sem gasolina, em que tais padrões representam a ausência de combustível para continuar a trajetória vigente. O principal marco é que as movimentações **demonstram fraqueza** em uma região que, sob uma tendência sustentável, seria observado força.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mqLIhVoJyi1yYtoBg%2F-M8msC8cX9t3xjEN1NTu%2Fimage.png?alt=media\&token=3b345bc8-0ba7-483c-8259-54a0c5f90dbd)

## `Cunhas`

Este padrão de reversão é caracterizado por zigue-zagues na direção da tendência, mas com ímpetos diferentes. A movimentação é contida por duas retas de diferentes inclinações, que se afunilam.&#x20;

{% hint style="warning" %}
A figura representa o primeiro exemplo de enfraquecimento, em que a trajetória é mantida através de **pernadas decrescentes**. Os preços se “arrastam” em uma região que “deveriam” tomar impulso.
{% endhint %}

O alvo da cunha é a amplitude da primeira movimentação (medido pela distância de “1” a “2”) a partir do ponto que a figura é superada (o patamar “5”). A recomendação de *stop* conservador é na extremidade da última movimentação a favor (o patamar “4”).

## `Topo e fundo duplo, falhas de topo e fundo, e rompimentos falsos`

Estes padrões de reversão foram agrupados por serem essencialmente caracterizados pelo mesmo movimento - um zigue-zague lateral que **fracassa em renovar** um topo (em uma trajetória altista) e um fundo (em uma trajetória baixista), e na sequência **perde o limite oposto**. Uma ressalva é que os dois últimos não são descritos como formações clássicas, mas foram incluídos pela mesma razão do agrupamento.

{% hint style="warning" %}
Nos topos e fundos duplos, essa tentativa é “freada” no **mesmo patamar anterior**, marcada por um toque duplo no limite da faixa lateral (existe também uma variação “tripla”, em que há três toques);

Nas falhas de topo e fundo, essa tentativa é freada **antes mesmo de atingir o limite da faixa**. A sinalização de fraqueza é maior.

Nos rompimentos falsos, essa tentativa **consegue superar o limite da faixa lateral** (dando a entender que seria um retângulo de continuação), mas logo em sequência volta para a zona de congestão e anula a movimentação inteira anterior.
{% endhint %}

Nos três casos, o alvo é a amplitude da faixa (a distância “1” e “2”), a partir do ponto que a congestão é superada (o patamar “4”). A recomendação de *stop* conservador é na extremidade oposta (o patamar “3”).

{% hint style="info" %}
Vale ressaltar que, como os padrões de reversão indicam o início de uma movimentação contrária, os alvos podem ser alongados. Se uma nova tendência se materializar, a operação pode ser conduzida em função dela, conforme padrões de continuação ocorram.
{% endhint %}


# Antecipações e Subjetividades

Acima foi apresentada a maneira literal de realizar as operações sobre os padrões clássicos: a abertura ocorre pela superação da figura, o *stop* pelo seu extremo oposto. Lembra dos [rompimentos e dos recuos](https://app.paradigma.education/feed/post/Xw2kIPafv05IaBhaWDYO)? Essa abertura recai sobre eles.

Uma terceira abordagem seria a opção de operar a **antecipação** do rompimento. Considerando que os padrões clássicos têm uma inferência de direção pré-estabelecida, esperar pela superação pode ser desnecessário. Essa abordagem agressiva sugere abrir a posição uma vez que a figura é observada, em seus limites contrários ao rompimento teórico (por exemplo, no caso de triângulos e retângulos, no patamar “4”). Essa abertura, em especial, é um ótimo exemplo em que pode ser conciliada com as formações clássicas de *candles*, [apresentadas anteriormente](https://app.paradigma.education/feed/post/DVSPCbMzfeysOFNkXQbX) (observando-os no patamar adequado).

O triângulo descendente apresentado pelo bitcoin em 2018 ilustra três formações clássicas de reversão (localizadas na sua hipotenusa) que poderiam servir de entradas antecipadas na ponta vendedora.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mqLIhVoJyi1yYtoBg%2F-M8mtaYH_r58MwWxDjSY%2Fimage.png?alt=media\&token=74683b9a-f13d-416d-b91d-d127f9f046b6)

Outro aspecto que o exemplo do bitcoin ilustra, é o **caráter discricionário** implicado por essas operações hipotéticas. Você pode estar se questionando: não há como operar sistematicamente os padrões?

Nas imagens de referência que utilizamos, a estrutura da figura era perfeita: os toques eram unidos por uma linha reta. Na prática, contudo, essa geometria é errônea. Note as ambiguidades sobre o “piso” do triângulo descendente acima: o primeiro toque ocorreu por uma sombra enorme; o segundo toque foi levemente acima do primeiro; o terceiro foi um fechamento abaixo dos anteriores.&#x20;

{% hint style="info" %}
Por isso os pontos de referência são tratados como **patamares** de preço.
{% endhint %}

Ainda, uma figura pode evoluir de forma que resulte em outra - o que impede um triângulo simétrico de se tornar um ascendente ou descendente? Ou bandeiras e flâmulas se tornarem retângulos?

{% hint style="danger" %}
Conclui-se que há muita **subjetividade na identificação** dos padrões.&#x20;
{% endhint %}

Uma maneira de diminuí-la é focar apenas naqueles em que a estrutura é bem definida - seja através de mais toques, ou maior linearidade deles. De qualquer modo, o importante é ter a consciência de que, na realidade, inexiste a exatidão postulada pela teoria.


# Armadilhas e Frustrações

Como todo ferramental técnico, inferências de figuras falham inúmeras vezes. O máximo que extraímos delas é um viés probabilístico, e um método para explorá-las lucrativamente. Um questionamento que pode ser feito então é: como tratar os padrões que “dão errado”?

Resumidamente, há duas formas de isso acontecer, que condicionam a resposta.

## `Armadilhas`

A primeira é popularmente conhecida como **armadilha**: casos em que a figura é ultrapassada de acordo com a inferência (em termos mais genéricos, um suporte ou uma resistência é violado), mas logo em seguida retorna ao patamar prévio.&#x20;

O padrão de **rompimento falso** como apresentamos é uma forma de armadilha, no contexto de um retângulo.&#x20;

A reação óbvia de um *trader* operando a figura seria aceitar o *stop*, caso seja engatilhado, e seguir em frente.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mqLIhVoJyi1yYtoBg%2F-M8muBxfiZxLU6J8TDHY%2Fimage.png?alt=media\&token=b5e35d97-5eb3-4902-bdaf-e3bfff5d6b34)

## `Frustrações`

A segunda violação ganha o nome de **frustração**: casos em que a figura é ultrapassada na ponta contrária à inferência.&#x20;

A reação óbvia de um *trader* operando a figura seria aceitar que o acionamento da posição não ocorreu, e seguir em frente.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mqLIhVoJyi1yYtoBg%2F-M8muLKFCvP6QRhQbLyW%2Fimage.png?alt=media\&token=4d6ca36b-263b-4065-87d0-be044cca22a7)

{% hint style="warning" %}
Contudo, vale notar que ambos também representam **eventos operáveis**. Isso é: a própria violação do padrão pode ser categorizada como um padrão próprio, permitindo uma operação a partir dele.&#x20;
{% endhint %}

A ressalva é que, como não configuram a forma literal, representam abordagem “heterodoxa”.

A formulação de uma estratégia com tais pontos de partida sugere:

{% hint style="info" %}
No caso de **armadilhas**, um alvo que pode ser estabelecido é no extremo oposto da figura que está sendo retomada. Um *stop* possível é o máximo da movimentação que produziu a armadilha (ou seja, até onde os preços chegaram até começar a reversão).

No caso de **frustrações**, pode-se tratar a operação como se os preços tivessem rompido na direção inicialmente postulada (ou seja, com alvo na amplitude da figura, e *stop* no extremo oposto).
{% endhint %}

Estas são apenas referências. Há uma infinidade de estratégias que podem ser elaboradas. Cabe a cada *trader* desenvolver uma que funcione para si.


# A Falácia do Volume

Volume é o indicador gráfico mais popular em análise técnica. A maneira padrão de expressá-lo é na forma de barras na parte inferior do gráfico de preços. Ele pode ser calculado de três formas:

{% hint style="info" %}

* volume **de contratos,** o mais usual, é o número de contratos negociados em determinado período;
* volume **de negócios** é o número de negócios realizados em determinado período;
* volume **financeiro** é a multiplicação do volume de contratos pelo preço em que ocorreram, em determinado período.
  {% endhint %}

A sua popularidade deriva de heurísticas de diversos autores na literatura. Charles Dow, por exemplo, [postula](https://school.stockcharts.com/doku.php?id=market_analysis:dow_theory) que **tendências são confirmadas pelo preço.** Joseph Granville, alternativamente, [postula](https://books.google.com.br/books/about/Granville_s_New_Strategy_of_Daily_Stock.html?id=DXrjAQAACAAJ\&source=kp_book_description\&redir_esc=y) que **volume precede preço**. O racional dominante é que o volume serve de *proxy* para a presença de grandes investidores, estes que são os principais responsáveis pelas movimentações de mercado, donos do chamado “dinheiro inteligente”. Analogamente, a ausência de volume indica indiferença do mercado, irrelevância. Desta forma, sinalizações produzidas por movimentações com alto volume são teoricamente mais **confiáveis** que as de baixo volume.

{% hint style="warning" %}
No contexto de padrões clássicos, o volume é muito utilizado como forma de **auferir robustez às inferências**.&#x20;
{% endhint %}

Tanto pré-rompimento, como pós. Com o intuito de prevenir armadilhas e frustrações, e consequentemente aumentar a rentabilidade do sistema, a confirmação do volume se torna um filtro adicional para a realização de operações.

Basicamente, há **três formas** para associar volume às estratégias supracitadas:

{% hint style="success" %}
A primeira, se refere ao volume no **processo de formação** das figuras. A premissa é de que um volume menor nesse período como um todo em relação a movimentação direcional prévia (que representa a força dominante) é um indicativo de que a trajetória será mantida.

A segunda, se refere ao volume nas movimentações **dentro da figura**. A premissa é de que o volume das movimentações nesse período é um indicativo para o lado do rompimento. Se ele aumenta nos movimentos de alta, sugere que o rompimento será para cima. Se aumenta nos movimentos de baixa, sugere que será para baixo.

A terceira, e mais popular, se refere ao volume **no rompimento**. A premissa é de que rompimentos com alto volume indicam maior a probabilidade de continuação do movimento. Rompimentos com baixo volume, indicam maior probabilidade de armadilhas.
{% endhint %}

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mqLIhVoJyi1yYtoBg%2F-M8mvETbqVhhQnDAMNwx%2Fimage.png?alt=media\&token=23bfd707-1aa6-44d1-9bd3-2c8c347115f4)

Para referência estatística, novamente podemos recorrer a Bulkowski. Segundo os seus [estudos](http://thepatternsite.com/Volume.html), **requerer um volume acima da média em rompimentos prejudica o resultado mais do que beneficia**. Soma-se a esta evidência a indesejável dose extra de discricionariedade e complicação que a introdução do volume acarreta, e explica-se a razão pela qual muitos *traders* sistemáticos ignoram esse indicador por completo.

Lembre-se: cabe sempre a você determinar se uma ferramenta é útil ou não. Há exemplos de *traders* de sucesso que baseiam muitas de suas operações em indicadores de volume, assim como o contrário também acontece. Realize os seus próprios estudos e decida.

Finalmente, agora você conhece o ferramental clássico da análise técnica. :tada:&#x20;

{% hint style="info" %}
Na [próxima seção](https://app.paradigma.education/feed/post/YrrEWPGR8SrO2BYQLzL7), apresentaremos a sua vertente **objetiva**. Ela traz as vantagens de mensuração exata dos resultados passados, assim como ajuda a prevenir o efeito de influências psicológicas prejudiciais.
{% endhint %}


# O esqueleto de uma estratégia

Entenda os 6 atributos que definem o esqueleto de qualquer estratégia operacional.

Estratégias operacionais sistemáticas (ou “*setups*”) são métodos de investimento que, em contraste com a análise técnica clássica, não apresentam subjetividade. Isto é, as condições de entradas e saídas são perfeitamente quantificáveis, determinadas por indicadores ou relações matemáticas. Elas são **algorítmicas.**

Neste texto, vamos dissecar as 6 variáveis que configuram um *setup*. A partir delas têm-se um esqueleto teórico para entender qualquer tipo de estratégia.

|                 Filosofia                |          Periodicidade          |                          Indicador                         |             Acionamento             |                  Filtro                 |                   Saída                  |
| :--------------------------------------: | :-----------------------------: | :--------------------------------------------------------: | :---------------------------------: | :-------------------------------------: | :--------------------------------------: |
| Qual comportamento a estratégia explora? | Qual o tempo gráfico utilizado? | Qual é o fator determinante em que a estratégia é baseada? | Qual o plano de entrada da posição? | Quais condições favorecem a estratégia? | Qual o plano de encerramento da posição? |

## `1. Filosofia`

{% hint style="info" %}
De forma simplificada, há duas filosofias possíveis por trás de um *setup*: (seguir) **tendência e** (explorar) **volatilidade**.
{% endhint %}

Isso mesmo: a essência de qualquer estratégia sistemática que lhe for apresentada (por mais complicada que seja) pode ser resumida a uma destas duas simples ideias.

**Tendências** foram abordadas [anteriormente](https://app.paradigma.education/feed/post/Xw2kIPafv05IaBhaWDYO). **Volatilidade** trata da intensidade e frequência das variações no preço de um ativo.

Costumeiramente, mede-se volatilidade pelo desvio padrão da variação diária dos preços, em determinada janela temporal. O bitcoin, desde 2017, apresentou uma volatilidade anualizada que variou de 10% até quase 200% (pela [metodologia da Bitmex](https://www.bitmex.com/app/index/.BVOL)) - evidenciando como, ironicamente, até a sua volatilidade é volátil. Esses números lhe garantem - assim como à maioria das criptoativos - o título de um dos ativos mais voláteis do mundo. Ou seja, a amplitude dos movimentos deste mercado é, na média, [maior que o observado nos tradicionais](http://charts.woobull.com/bitcoin-volatility-vs-other-assets/).

Para ilustrar as filosofias com base nesses dois conceitos, considere os gráficos a seguir. Pergunte-se: qual tipo de estratégia seria apropriada para cada um? O que a distinção no comportamento deles te diz?

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mqLIhVoJyi1yYtoBg%2F-M8mx8HZPsjIVkE6cvfn%2Fimage.png?alt=media\&token=5466b117-bc96-4ae5-91aa-98e42672872c)

À esquerda, trata-se do gráfico semanal do **bitcoin&#x20;*****vs*****&#x20;dólar**. À direita, trata-se do gráfico diário do criptoativo **bread vs bitcoin**. Em primeira instância, a diferença mais chamativa entre eles é a tendência de alta (no bitcoin) e a congestão (no bread). Contudo, como postulamos anteriormente, estes são estados de comportamento, e não uma característica. Afinal, mesmo o bitcoin possui momentos de congestão.

A distinção principal que deve ser feita é sobre a **consistência da direcionalidade:** o bitcoin “engata” trajetórias, através de ciclos longos em que uma direção é mantida, com uma frequência maior de sombras pequenas em relação ao corpo. Há diversos “vácuos” no gráfico. No extremo oposto, o bread “ameaça” trajetórias, através de movimentações erráticas em que nenhuma direção é mantida, com uma frequência maior de sombras grandes em relação ao corpo. Vácuos no gráfico são raros, os preços “preenchem” quase todas as regiões.

Quais são as implicações desses perfis de comportamento?

As movimentações direcionais do bitcoin são mais "**confiáveis**". Há uma natureza de continuidade. Em tendência de alta, a conduta adequada é a de procurar por oportunidades de compra, pois o movimento tende a ser prolongado. Em tendência de baixa, a conduta se inverte: é adequado procurar por oportunidades de venda, pela mesma razão. **É neste sentido que estratégias seguidoras de tendência atuam: explorando a direcionalidade dos preços, em favor da trajetória vigente.**

Por outro lado, as movimentações direcionais do bread são mais “**mentirosas**”. Há uma natureza teimosa de reversão. Após uma movimentação ampla para cima, a conduta adequada é a de procurar por vendas, pois a volatilidade tende a reverter o movimento. Após uma movimentação ampla para baixo, a conduta se inverte: é adequado procurar por compras, pela mesma razão. **É neste sentido que estratégias de volatilidade atuam: explorando o retorno dos preços a um patamar anterior (médio).**

## **`2. Periodicidade`**

{% hint style="info" %}
Diz respeito ao tempo gráfico em que a estratégia é aplicada.&#x20;
{% endhint %}

Apesar de cada ativo (ou mercado) possuir um perfil nativo de comportamento, a periodicidade tem um impacto relevante sobre ele.

Em suma, movimentações tendem a ser mais direcionais quanto mais longo o tempo gráfico trabalhado. Gráficos de 1 minuto, por exemplo, são extremamente erráticos e caóticos. Gráficos semanais, por outro lado, são relativamente ordenados.

Por essa razão, sinalizações produzidas em periodicidades maiores ganham **maior relevância** - são consideradas mais "confiáveis".

## **`3. Indicador-chave`**

{% hint style="info" %}
Diz respeito ao indicador (ou um conjunto de) que determina a entrada da posição. Essa é a variável principal, pois a estratégia só é executada a partir dela. Muitas vezes, inspira o seu nome.
{% endhint %}

Apesar de não haver uma segmentação unânime, podemos enquadrar indicadores em 4 categorias:

* **Tendência**: tratam de direcionalidade e força, como [médias móveis](https://www.bussoladoinvestidor.com.br/media-movel-exponencial/) e o [DMI](https://www.bussoladoinvestidor.com.br/indice-de-movimento-direcional/);
* ***Momentum***: tratam da aceleração de movimentos, como o [oscilador estocástico](https://www.bussoladoinvestidor.com.br/oscilador-estocastico/) e o [IFR](https://www.bussoladoinvestidor.com.br/indice-de-forca-relativa/);
* **Volatilidade**: tratam da amplitude e da frequência de variações no preço, como as [Bandas de Bollinger](https://www.bussoladoinvestidor.com.br/bandas-de-bollinger/) e o [ATR](https://www.sunoresearch.com.br/artigos/atr/);
* **Volume**: tratam a relação do volume com o preço, como o [CMF](https://www.nelogica.com.br/conhecimento/artigos/indicadores-estudo/chaikin-money-flow) e o [OBV](https://www.nelogica.com.br/conhecimento/artigos/indicadores-estudo/obv).

Assim, o gatilho para entrada ocorre a partir de alguma ação do indicador-chave. Por exemplo, em estratégias que utilizam mais de um indicador, esta ação tipicamente envolve uma forma de **cruzamento** (como uma média móvel "X" cruzar com uma média móvel "Y"). Em estratégias que utilizam apenas um indicador, esta ação tipicamente envolve um **patamar** a ser atingido (como o IFR apresentar um valor "Z").

## **`4. Política de Acionamento`**

{% hint style="info" %}
Diz respeito ao ponto de abertura da posição.&#x20;
{% endhint %}

Usualmente, independente do indicador-chave usado, acionamentos se dão no **fechamento** do *candle*, ou na espera de uma **confirmação** no *candle* seguinte (no caso de compra, na superação da máxima do *candle* anterior; no caso de venda, na violação da mínima do *candle* anterior).

Para ilustrar essa variável, suponha a estratégia simples da Cruz Dourada que citamos no [texto introdutório](https://app.paradigma.education/feed/post/cWYHgJrX6du3xAtMx1hr) desta série. As duas opções de acionamento são: quando a média móvel de 50 cruza com a média móvel de 200, sugere-se (1) a compra imediata no fechamento do *candle* em que o cruzamento ocorreu, ou (2) a colocação de uma ordem de compra na máxima deste *candle.*

Dentre políticas baseadas em fechamento, e aquelas baseadas em confirmação, as do segundo tipo são mais conservadoras. Elas exigem uma movimentação adicional dos preços na direção desejada – ao custo de uma entrada mais “cara”.

Um adendo possível sobre o acionamento por confirmação, é que ele necessariamente ocorra no *candle* subsequente (ou em N *candles* seguintes). Se não ocorrer, a ordem é cancelada. A ideia desta restrição é que, com o passar do tempo, a estratégia pode se descaracterizar.

## `5. Filtros`

{% hint style="info" %}
Filtros são condições adicionais para que a entrada da posição seja válida. A intenção é assegurar o **contexto apropriado** que beneficia o indicador-chave. Apesar de filtros não serem necessários, são muito utilizados.
{% endhint %}

Por exemplo, a presença de uma tendência é a circunstância ideal para estratégias que exploram direcionalidade. Como garantir que as operações ocorram somente sob este estado?

Sabemos que uma tendência é facilmente identificada pela trajetória de topos e fundos. Porém, essa identificação é visual. Lembre-se que uma das motivações das estratégias sistemáticas é **abstrair a discricionariedade**. Essa identificação pode ser feita através de um indicador.

Sabe por que médias móveis estão entre os indicadores mais populares da análise técnica? Justamente porque servem a esse propósito. Elas são utilizadas como uma **forma objetiva de inferir tendências**, basicamente de duas maneiras:

{% hint style="success" %}
Através da **direção**: neste caso, uma tendência de alta é representada por uma média móvel (ou conjunto delas) ascendente. E descendente para uma tendência de baixa.

Através do **alinhamento**: neste caso, uma tendência de alta é representada pelo preço estar acima de uma média móvel (ou uma média móvel mais curta estar acima de outra mais longa). O inverso para tendência de baixa.
{% endhint %}

O critério de **direção** é mais sensível que o de **alinhamento**. Em outras palavras, é necessária uma movimentação mais consistente para alinhar médias móveis, do que para direcioná-las.

Além desses critérios, a escolha da periodicidade da média móvel também é de extrema relevância. Para entender esse parâmetro, novamente podemos recorrer a uma heurística de [Charles Dow](https://en.wikipedia.org/wiki/Dow_theory). Segundo ele, os mercados possuem três tendências: primária, secundária e terciária, ordenadas por duração e relevância.

> * Tendências terciárias capturam movimentos de curto prazo (referência inferior a 20 períodos);
> * Tendências secundárias capturam movimentos de médio prazo (referência de 50 a 100 períodos);
> * Tendências primárias capturam movimentos de longo prazo (referência superior a 200 períodos).

Em suma, quanto mais curta a média móvel, menos significativa ela tende a ser. Isso não implica em uma desvantagem. Essa escolha precisa ser **testada e refletir o comportamento** do ativo que está sendo tratado.

Por exemplo, a maioria das *altcoins* (moedas alternativas ao bitcoin) tem uma dinâmica muito peculiar. Elas invertem o ditado popular sobre o mercado “sobe de escada e desce de elevador” - uma alusão a observação de que movimentações de queda são mais rápidas e violentas do que as de alta. [Lembra ](https://app.paradigma.education/feed/post/qEqRPJt7aGsOln0oDp0a)do poder do medo?

Como ilustrado pelo gráfico semanal do XRP/BTC abaixo, as trajetórias de baixa desse ativo são muito menos íngremes e duradouras do que suas contrapartes altistas. Aquela que é uma anomalia nos mercados tradicionais revela-se comum em criptoativos.

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mxSV337U1Aa2zrVQb%2F-M8mzYnrHtqq0lVxse3K%2Fimage.png?alt=media\&token=a269a88e-86fa-4e3f-8380-1a45d5d55de6)

O que podemos extrair disso? Esse perfil sugere que médias móveis longas não são adequadas como filtro de tendência em *altcoins*. Mesmo para o bitcoin, movimentos amplos repentinos capazes de mudar a estrutura do mercado são muito comuns. A imprevisibilidade e a volatilidade dos criptoativos nunca deixam de surpreender.

Outros parâmetros se referem a maneira como a média móvel é calculada. O mais comum é o uso do preço de fechamento. Mas há variações que utilizam a mínima, a máxima, e outros. Dentre os tipos, a média móvel simples é a mais popular, junto com a exponencial (a diferença é que a simples dá o mesmo peso para todos os períodos que compõe o cálculo, enquanto a exponencial dá um peso maior para os períodos mais recentes). Há [diversos outros tipos](https://www.mql5.com/pt/articles/3791) que usam cálculos mais avançados.

{% hint style="info" %}
Além de médias móveis, outros indicadores populares que servem como filtros de tendência são o [IFR](https://www.bussoladoinvestidor.com.br/indice-de-forca-relativa/) e o [DMI](https://www.bussoladoinvestidor.com.br/indice-de-movimento-direcional/).
{% endhint %}

## **`6. Política de Saída`**

{% hint style="info" %}
Diz respeito às condições necessárias para que a operação seja finalizada.&#x20;
{% endhint %}

Esse componente da estratégia engloba três variáveis:

{% hint style="warning" %}
***Stop*****&#x20;inicial** é o *stop* posicionado assim que a operação for aberta (dependendo da *exchange*, essa ordem pode ser enviada em conjunto, vinculada ao acionamento da entrada).&#x20;
{% endhint %}

A forma comum mais simples deste *stop* é a ponta oposta do *candle* que deu origem a entrada (a mínima, para ponta comprada; a máxima, para ponta vendida). Ou seja, arrisca-se apenas um *candle*. Esse posicionamento é agressivo pois a sua colocação tende a ser muito próxima da entrada. Essa proximidade, de um lado, favorece a assimetria da operação; do outro, aumenta a sua probabilidade de acionamento. A decisão, no final das contas, sempre recai sobre esse *trade-off.*

Alternativas comuns atuam na direção de utilizar mais de um *candle* anterior ao acionamento como referência, ou utilizar alguma outra informação que não seja máximas e mínimas (por exemplo, derivado de um indicador de volatilidade).

No caso de estratégias discricionárias, patamares de suporte sugeridos pelos padrões complexos [abordados anteriormente](https://app.paradigma.education/feed/post/pjM9NzPcPSMFPim09d6F), ou pontos intermediários de [*pivots*](https://app.paradigma.education/feed/post/Xw2kIPafv05IaBhaWDYO), são formas comuns.

{% hint style="warning" %}
***Stop*****&#x20;móvel** é o *stop* que acompanha o andamento da operação, conforme ela for ganhadora.
{% endhint %}

Essa variável é muito abrangente e não trivial. A forma mais popular desse *stop* é por volatilidade, na qual utiliza-se um indicador que mensura a amplitude da movimentação média do ativo em um período ([ATR, “Average True Range](https://www.nelogica.com.br/conhecimento/artigos/indicadores-estudo/stop-atr)”) e projeta esse valor (ou N vezes esse valor) a partir do preço atual. A vantagem é que esse indicador captura as peculiaridades do ativo, o que lhe torna preferível a um valor arbitrário. Outro indicador popular utilizado no mesmo sentido do ATR é o [SAR Parabólico](https://www.nelogica.com.br/conhecimento/artigos/indicadores-estudo/parabolico-sar).

A forma popular mais agressiva é conhecida por “barra-barra”, na qual o *stop* se move para cada mínima (em operações de compra) e para cada máxima (em operações de venda), em todo novo *candle*. A agressividade se refere ao fato de que esse *stop* móvel é desenhado para não durar muito. Ou seja, sair da posição rapidamente julgando que o patamar de lucro atual é suficiente. Afinal, máximas e mínimas são tocadas com facilidade. Variações mais acomodativas utilizam mais de um *candle* de distância.

As médias móveis também são muito utilizadas como *stop* móvel. O descruzamento do mesmo critério que filtra a entrada, uma virada de direção de alguma delas, um “toque”, ou um fechamento acima/abaixo delas… o uso é muito versátil. Como referência, a média de 20 períodos é a mais popular. No Brasil, uma variação comum é o chamado [Hi-Lo](https://smarttbot.com/blog/indicador-hilo-activator/), em que a média é calculada pelas mínimas (no caso de alta) e das máximas (no caso de baixa), em detrimento ao fechamento.

Vale notar, todas essas táticas são baseadas em preço. Apesar de incomum, outras formas de *stop* são temporais – em que a saída ocorre N dias ou *candles* após a entrada, independente das variações no preço (ou alguma combinação entre eles).

A imagem a seguir ilustra como a movimentação de baixa na EOS/BTC conciliou diversos usos de *stop* em uma operação vendida, sejam discricionários (como os re-testes de fundos rompidos, e formações baixistas de *candles*) ou sistemáticos (como derivados da média móvel de 20 períodos, que acompanhou com perfeição boa parte da queda).

![](https://3368501834-files.gitbook.io/~/files/v0/b/gitbook-legacy-files/o/assets%2F-M8hLQD-cJv1-4OUZl4Q%2F-M8mxSV337U1Aa2zrVQb%2F-M8n-wQDSTrAZZoonPGI%2Fimage.png?alt=media\&token=97fc0f70-5057-41cd-8e20-2cda59a41f3b)

{% hint style="warning" %}
**Alvo:** uma abordagem alternativa é de utilizar um alvo fixo, posicionado na abertura da operação, junto ao *stop* inicial.
{% endhint %}

Essa política muitas vezes dispensa o *stop* móvel, de forma que o resultado da operação se torna binário: ou aciona o *stop* inicial ou atinge o alvo. Não há meio termo. Analogamente, o uso de *stop* móvel muitas vezes dispensa alvos.

Alvos são mais arbitrários do que *stops*, no sentido das metodologias serem mais dispersas. A decisão é geralmente extraída por “tentativa e erro”, em *backtests*. Não há o uso comum de um indicador. Um costume é projetar N vezes o risco da operação, ou determinado percentual fixo.

Ainda, o alvo pode ser estabelecido para uma parcela da operação, em detrimento dela inteira. Essa prática é conhecida por **“Realização Parcial”**. A sua popularidade pode ser explicada em parte pelo aspecto psicológico: muitas pessoas têm dificuldade de manter operações com lucros altos ([lembra](https://app.paradigma.education/feed/post/qEqRPJt7aGsOln0oDp0a) da aversão à perda?), e se utilizam de realizações parciais como uma forma de conciliar o risco desse lucro ser revertido com o risco de abrir mão de lucros maiores. Por exemplo, vender metade da posição quando atingir um lucro equivalente a uma ou duas vezes o risco inicialmente incorrido, e deixar o resto “fluir” com um *stop* móvel acomodativo.

{% hint style="info" %}
A seguir, veremos a aplicação prática do conhecimento adquirido acima. Selecionamos 4 *setups* de resultados comprovados para monitorar na plataforma. O que eles têm em comum? Qual a característica única de cada um que justifica a sua escolha? Confira na [próxima seção](https://app.paradigma.education/feed/post/5vV59ffQYephmNmBYkRh).
{% endhint %}


# Setups Rastreados

Simplicidade, objetividade e lucratividade. Desvendando as 4 estratégias operacionais monitoradas pela Paradigma Trading.

Por fim, chegamos à porção final dessa série. Com todo conteúdo apresentado, você já tem capacidade de começar a praticar análise técnica por conta própria. Também conhece um conjunto de boas práticas para garantir a sustentabilidade dessa atividade.

As 4 estratégias operacionais a seguir foram selecionadas pela **filosofia adequada** ao perfil dos criptoativos, pela **simplicidade**, por **não serem ambíguas**, e principalmente pelo **resultado** apresentado.

Nosso intuito de rastreá-las é facilitar a busca de operações para nossos usuários.

* Para assinantes do [Paradigma Trading](https://paradigma.finance/), o servidor que você encontra no [Discord ](https://discord.gg/cztvyar3D7)apresenta canais segmentados por mercados (que estão associados ao plano escolhido). Cada canal representa uma **estratégia**, de um **mercado** específico, de uma **direção**. Fizemos assim para otimizar a organização dos sinais, tendo em vista que muitos não operam na ponta vendida (e, portanto, podem facilmente oculta-los).
* Para assinantes do [Paradigma Education](https://paradigma.education/), a tabela que você encontra na aba "Gráficos" concentra oportunidades de entrada segmentadas por ativo, tempo gráfico e a respectiva estratégia.

Como dissemos anteriormente, novas estratégias poderão ser adicionadas com o tempo, e otimizações sobre as existentes serem feitas.

Vale ressaltar que nenhuma é de autoria nossa. Nosso trabalho foi de testá-las e parametrizá-las de acordo com o comportamento dos ativos abordados. Existe um enorme repertório de *setups* na literatura.


