# Gerenciamento de Risco

No jogo hipotético de dados [anterior](https://app.paradigma.education/feed/post/cWYHgJrX6du3xAtMx1hr), se fosse apostado 50% do seu capital por rodada, você perderia tudo se caíssem as faces 1, 2 ou 3 por duas vezes seguidas. O que extraímos disso?&#x20;

{% hint style="warning" %}
Uma estratégia vencedora não é suficiente para garantir a **sustentabilidade** desta atividade.&#x20;
{% endhint %}

Como veremos a seguir, (1) **controle de risco é a única variável capaz de impedir a sua falência no mercado** e (2) **controle emocional é a única variável capaz de garantir que você execute a sua estratégia como planejado**.

Por mais contra-intuitivo que pareça, a estratégia em si é secundária - afinal, há diversas delas na literatura, abertas para qualquer interessado. A maioria das pessoas perdem no mercado pelo mau gerenciamento de risco e por interferências psicológicas.

## **`Diversificação`**

Você provavelmente já deve ter ouvido falar em **“nunca colocar os ovos em uma única cesta”**. O conceito de diversificação, que embasa esse ditado, é construído na ideia de compor uma carteira com diferentes ativos para mitigar a exposição ao **risco idiossincrático** (isto é, o risco específico de cada um). Eventos de cauda (ou cisne-negros, como [descrito por Nassim Taleb](https://en.wikipedia.org/wiki/The_Black_Swan:_The_Impact_of_the_Highly_Improbable)) - como desastres naturais ou atos de terrorismo - acontecem de tempos em tempos e são suficientes para devastar uma carteira concentrada nos ativos diretamente afetados.

Apesar de soar muito simples, a aplicação desse conceito é muitas vezes equivocada. Segundo a [teoria moderna de construção de portfólio](https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_portfolio_theory), a diversificação ótima para cada nível de risco é calculada majoritariamente em função da correlação dos ativos que a compõe - sendo este um fator popularmente negligenciado. Ativos de correlação alta (próximo de 1) são redundantes, compartilham do mesmo risco. Ativos de correlação alta negativa (próximo de -1) anulam os ganhos do outro. Ativos não-correlacionados (próximo de 0) tem a sua variação independente do outro.

> "Diversificação é o único almoço-grátis em investimento."
>
> Harry Markowitz, Nobel de Economia e principal referência na teoria moderna de portfólio.

Resumidamente, é importante **diversificar em ativos de correlação baixa**. Para sua “sorte”, se você está lendo isso, você provavelmente já usufrui dessa vantagem em relação aos *no-coiners*. Afinal, um dos maiores apelos do mercado de criptoativos é a sua [baixa correlação](https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2096232019300885) com as demais classes de ativos! No entanto, no quesito intramercado, [criptoativos são extremamente correlacionadas](https://www.hodlbot.io/blog/how-many-cryptocurrencies-are-simply-following-the-market) - razão pela qual a diversificação entre elas é ineficiente.

Agora, com esse conceito em mente, cabe a você aplicá-lo na construção da sua carteira de investimentos, adequada para o seu perfil. Lembre-se que há **diversas frentes de diversificação**, como (i) entre classes de ativo; (ii) entre diferentes ativos dentro de uma mesma classe; (iii) entre estratégias diferentes; e (iv) entre alocadores diferentes (pessoalmente, ou tercerizando via fundos)

Tenha consciência que aqui estamos tratando de uma **fatia específica** dela - “operações técnicas em criptoativos”. Delimitar a quantia que será dedicada para esta atividade é uma decisão pessoal sua. Quanto mais iniciante você for, menor é recomendada essa alocação.

## ***`Stop-loss`***

Simplificadamente, há quatro resultados possíveis para cada operação realizada – ganhar pouco, ganhar muito, perder pouco e perder muito. O papel do gerenciamento do risco é eliminar o último cenário. **Você não pode se permitir perder muito em uma única operação**! Essa é a regra fundamental para garantir a sobrevivência no mercado. Para exercer a atividade de *trading*, é necessário se manter “vivo”.

![](/files/-M8mSMb2wlGNGUv9TjbY)

Lembre-se que, para cada estratégia operacional, há **condições específicas de entrada e saída**. E que, em sua construção, a ideia sempre é maximizar o lucro nas operações ganhadoras e minimizar o prejuízo nas operações perdedoras. As entradas e saídas, portanto, devem justamente refletir a expectativa de se ganhar muito (o que se manifesta na forma de "alvos") e de não perder muito (o que se evita com "limites de perda").

A maneira mais habitual de **estabelecer um limite de perda** é através de um “*stop-loss*” – uma ordem automática que zera uma posição no prejuízo, assim que condições específicas forem acionadas.

Assim, como uma medida de contenção de risco, a conduta habitual de *traders* profissionais é a de colocar uma ordem de ***stop*****&#x20;em todas as operações realizadas, logo que forem iniciadas.**

As táticas mais comuns para posicionamento do *stop* serão abordadas em outro texto. Como referência, um exemplo simples é o de posicionar no extremo oposto da barra que iniciou a operação (a mínima, para compras; a máxima, para vendas).

## ***`Position Sizing`***

O *stop* é apenas uma das duas variáveis que compõem o gerenciamento de risco. A segunda é o que os norte-americanos chamam de “*position sizing*”: o tamanho da posição.

Como determinar a quantia alocada por operação? A resposta para essa pergunta é uma consequência da perda financeira máxima que você estará disposto a arriscar. Ou seja, ela é a variável **endógena** da equação. Enquanto o *stop* é determinado pela estratégia operacional, o risco é determinado por você.

$$
amplitude.do.stop \* tamanho.da.posição = risco.máximo.individual
$$

Assim, a pergunta inicial dá lugar a outra: como determinar a perda máxima desejada? Ou ainda, existe uma quantidade ótima?

Em suma, apesar de ser uma decisão pessoal, **o capital utilizado por operação precisa ser pequeno o suficiente para acomodar uma sequência de perdas sem que você vá à falência, e que você esteja psicologicamente confortável de aceitar como risco.** A quantidade ótima seria o máximo que respeitasse essa regra. Contudo, na prática você não tem como saber a extensão dessa sequência, nem a sua magnitude (sem uma bola de cristal) - apenas uma estimativa dada pelo resultado passado da estratégia operacional empregada.

Neste sentido, a abordagem sugerida para definir o risco máximo por operação é recorrer aos *backtests*. Como vimos anteriormente, mesmo estratégias operacionais com expectativa matemática positiva apresentam perdas (não existe 100% de índice de acerto). Vamos assumir que (i) a maior perda acumulada da sua amostra ("*drawdown*") de resultados foi 10 “riscos”, e (ii) o maior prejuízo acumulado foi de 20%. Assim, de um lado (i) a sequência perdedora sugere que você jamais deveria colocar em risco mais de 10% do seu capital inicial para trading por operação (dado que, com 10 *stops* consecutivos, você iria a falência) e (ii) o prejuízo de 20% administra sua expectativa quanto a maior perda que você eventualmente teria.

**Exemplo**: Suponha que seu capital dedicado a operações técnicas é de 10 mil reais. Sob esta abordagem, você resolveu colocar em risco 500 reais por operação (que equivale a 5% do “bolo”, dando uma “gordura” em relação aos 10% que o *backtest* sugeriu). A sua estratégia operacional tem uma política de *stop* de posicioná-lo na mínima do *candle* de abertura da posição. Houve um acionamento de compra do ativo X, ao preço de 100 reais por ativo, em uma barra cuja mínima era 96 reais. Assim, qual seria o tamanho da posição?

{% hint style="info" %}
4% x Tamanho = 500. Tamanho = 12.500 reais.
{% endhint %}

No exemplo acima, o valor de 500 reais utilizado, que equivale a 5% do seu capital, foi definido em função do *drawdown* (sendo metade do máximo suportado pelo *backtest*). Há diversas outras maneiras de definir esse valor, derivado de outras métricas do *backtest*. Dentre elas, talvez a mais reconhecida seja o "[Critério de Kelly](https://www.investopedia.com/articles/trading/04/091504.asp)": de forma resumida, o critério desenvolvido por um [cientista  ](https://en.wikipedia.org/wiki/John_Larry_Kelly_Jr.)consiste em uma fórmula matemática que maximiza o valor esperado de uma aposta, baseado no **índice de acerto** e no **payoff**.\
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Ainda, uma outra abordagem é definir uma quantia arbitrária. Se servir de referência, [Alexander Elder](https://books.google.com.br/books/about/The_New_Trading_for_a_Living.html?id=p28TBwAAQBAJ\&source=kp_book_description\&redir_esc=y) popularizou a regra de estabelecer um teto de 2% do capital (dedicado a *trading*) como risco por operação. Assim, na hipótese de 10 *stops* consecutivos, seu capital seria reduzido em "apenas" 20%.


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