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# Rompimentos e Recuos

Recapitulando, agora temos uma noção básica de como os preços se comportam: intercalam períodos de altas e baixas que configuram tendências ou congestões, e produzem no caminho regiões de **suporte** e **resistência** que fornecem contexto ao gráfico.

Como tirar proveito disso? É possível segmentar duas abordagens para operar esses conceitos.

## `Rompimentos`

{% hint style="info" %}
Denotam operações que exploram a **violação de um suporte ou de uma resistência**, com o intuito de que este evento dará início a uma movimentação direcional.&#x20;
{% endhint %}

Congestões e consolidações, dessa forma, fornecem o contexto perfeito para esse tipo de operação. Quanto mais definidos, melhor. Para *traders* mais agressivos, um simples toque fora de uma zona de suporte ou de resistência é suficiente para abrir uma posição. Para *traders* mais conservadores, é convencional esperar o **fechamento** da primeira barra (ou de N barras subsequentes) que fuja notavelmente dessa zona, e seu respectivo acionamento através da **superação** de sua máxima (se for na ponta da compra) ou mínima (se for na ponta da venda). O *stop*, na abertura da posição, é usualmente colocado no extremo oposto da barra que deu origem ao rompimento.

A principal vantagem dessa abordagem é a garantia de que, se o rompimento iniciar de fato uma movimentação direcional, você estará dentro desde o começo. A desvantagem é que rompimentos bem definidos geralmente ocorrem através de barras grandes (como as **“barras elefantes”**, popularizadas por [Oliver Velez](https://www.youtube.com/user/olvelez007/featured)), o que se traduz em um *stop* longo. Quando a barra que “rompe” é pequena, o posicionamento do *stop* em seu extremo facilita um cenário de acionamento indevido – em que é acionado pela volatilidade, mas logo em seguida retoma o movimento (configurando a famosa “violinada”).

![](/files/-M8n7rhsUEYV3ZLzETVG)

Outro aspecto para se atentar em operações de rompimento é o movimento que o precedeu. Rompimentos **“esticados”** são aqueles que ocorrem após uma movimentação significativa na mesma direção, o que aumenta a probabilidade de uma correção subsequente. Afinal, lembre-se que os preços não se movimentam na mesma direção indefinidamente.&#x20;

{% hint style="danger" %}
Portanto, constituem uma forma de rompimento "indesejada".&#x20;
{% endhint %}

Por exemplo, a superação de uma resistência após cinco (ou mais) dias consecutivos de alta, com barras amplas, “pede” por um “descanso”.

## **`Recuos (“pull-backs”)`**

{% hint style="info" %}
Denotam operações que exploram movimentações **contrárias ao rompimento imediato**, enxergando-as como uma oportunidade para “pular no barco” a um preço mais acessível.
{% endhint %}

Recuos após rompimentos são uma dinâmica muito observada, que representam uma espécie de “fôlego”. Dentre elas, duas configurações específicas se destacam:

**Re-testes** são os recuos em que os preços voltam para o patamar rompido, testando-o na ponta contrária. Estes, como consequência, produzem as viradas de suportes para resistências, e vice-versa (como ilustrado na primeira imagem desse texto). Esta forma é mais conservadora pois a “virada” supracitada é uma confirmação adicional de que a direção do rompimento será preservada, contudo exige paciência, dado que pode demorar diversas barras para ocorrer.

***Gifts*** são recuos de poucas barras (ou apenas uma) subsequentes ao rompimento, associados ao conceito de barra elefante supracitado. Tipicamente caracterizados por barras pequenas, permitem que o *stop* e o acionamento sejam posicionados neles, ao invés da barra elefante que o precedeu. A relação extremamente favorável de risco-retorno, proporcionado pelo encurtamento do *stop* e a inércia que o rompimento produz, dão razão ao significado do seu nome (“presente”, em inglês).

![](/files/-M8n7uOI7uPOVdc8-tkF)

A abordagem de esperar por recuos é uma alternativa de não incorrer ao *stop* longo das barras grandes que caracterizam um rompimento bem definido, sendo esta a sua principal vantagem. A desvantagem desse tipo de operação é a possibilidade de que os esperados recuos não se materializem. O que, dependendo da impulsividade do movimento, é comum (vide o primeiro exemplo de rompimento de cima, do bitcoin). Nesse cenário, a sua premissa de continuação da trajetória estaria certa, mas você ficaria de fora. Outra desvantagem, inerente à *stops* curtos, é a sua maior incidência.

{% hint style="warning" %}
Em suma, a decisão de operar rompimentos ou esperar por recuos envolve um ***trade-off*****&#x20;entre tamanho do&#x20;*****stop*****&#x20;e probabilidade de ficar dentro do movimento.** Além de não serem necessariamente excludentes.
{% endhint %}

{% hint style="info" %}
Na próxima seção, veremos como os padrões clássicos aprofundam os conceitos apresentados nesse texto, e facilitam a sua identificação.
{% endhint %}
